Título: Eficiência energética pode economizar US$ 14 bilhões
Autor: Goulart, Josette
Fonte: Valor Econômico, 16/09/2008, Empresas, p. B8

O fato de o Brasil ter uma energia mais cara que os vizinhos latino-americanos é um dos pontos fortes para que o país tenha uma maior eficiência energética, segundo estudo divulgado ontem pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em seminário realizado pela instituição em São Paulo. Isso porque onde a energia é mais barata, normalmente é subsidiada pelos governos e não traz qualquer incentivo à economia. O estudo mostra que a produção de eletricidade terá uma expansão estimada em 50% nos próximos dez anos. Se o Brasil melhorar sua eficiência energética nesse período pode economizar a construção de 132 usinas térmicas, de 250 MW, movidas a gás natural. Uma economia de investimentos da ordem de US$ 14 bilhões.

O presidente do BID, Luís Alberto Moreno, diz que a instituição tem um fundo de US$ 45 milhões para ajudar governos estaduais e federais a desenvolver projetos de eficiência energética. O diretor de projetos do Instituto Ekos, Délcio Rodrigues, conta que é possível fazer projetos de eficiência com a simples análise da vida dos produtos, da produção ao consumo.

O instituto identificou, por exemplo, que em um prédio residencial é possível reduzir o consumo de energia dos elevadores só trocando lâmpadas, que curiosamente consomem mais energia do que os motores que mantém os elevadores em operação. Ele conta ainda que o uso de energia solar também é um investimento importante, e não é mais caro do que se investir em projetos de aquecimento à gás. Hoje no Brasil, os chuveiros elétricos consome 7% de toda a energia gerada no país, segundo dados do instituto.

No México, o BID iniciou um projeto piloto neste ano junto com uma entidade privada, que tem a participação de indústrias, chamada Fideicomiso para el Ahorro de Energía Eléctrica (FIDE) para instalar placas solares em 50 mil residências da população mais pobre. De acordo com o diretor-geral do FIDE, Pablo Realpozo de Castillo, apesar do custo de US$ 7 mil por casa será possível implantar esse projeto porque o país vai trocar o subsídio que hoje é financeiro para um subsídio operacional. Ele diz que para um país como o México, que tem 85% de seu território ensolarado o suficiente para gerar energia, é preciso tomar essas inciativas para mudar a matriz energética. Cerca de 70% da geração de energia do país é proveniente das termelétricas.

No Brasil, cerca de nove cidades aprovaram leis que obrigam as novas construções a investir em sistemas fotovoltáicos. Na cidade de São Paulo, a lei municipal entrou em vigor em agosto desse ano. Já a legislação federal sobre eficiência energética, que prevê regras para a produção de motores elétricos, ar-condicionados, etc, e que consumam menos energia, só entrou em vigor no ano passado, apesar de ter sido aprovada em 2001, logo após a crise de energia.

A presidente do grupo Rede Energia, Carmem Campos Pereira, diz que além de incentivar o uso de energias alternativas, é preciso investir em educação da população. Hoje a distribuidora de energia tem projetos em análise pelo BID de cerca de US$ 5 milhões para alterar a instalação elétrica de 9,9 mil casas, doar 29,7 mil lâmpadas, outras 2,9 mil geladeiras e refazer a instalação de 80 escolas públicas.