Título: Estiagem reduz safra e mantém feijão em alta
Autor: Cibelle Bouças
Fonte: Valor Econômico, 21/02/2005, Agronegócios, p. B9

Os problemas climáticos que afetaram a produção de feijão na primeira safra (conhecida como safra das águas) estão sustentando os preços neste fim de colheita. Segundo levantamento da Correpar, a saca de 60 quilos do carioca de boa qualidade saiu no atacado paulista a R$ 94 na semana passada, contra R$ 90 em igual período de 2004 - alta de 4,4%. No mês, a valorização acumulada é de 2,17%. Marcelo Lüders, diretor da corretora paranaense, disse que o volume ofertado está menor em função de perdas no Sul provocadas pela estiagem. A região Sul e São Paulo abastecem o país nesse período. "Existe a expectativa de que, com a recuperação da economia, o consumo doméstico cresça em 2005, o que também pode ajudar a dar sustentação aos preços". Vanir Rigatti, gerente de comercialização da Sementes Prezzotto, do Paraná, observou que o clima seco no Sul está prejudicando a produção de sementes e a oferta atual está aquém da demanda dos agricultores. "Há pouca disponibilidade do grão". Os preços ao produtor também estão aquecidos nas principais praças. Levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria de Agricultura de São Paulo, apontou ganho de 2,56% no preço recebido pelo produtor na segunda quadrissemana de fevereiro. Em Santa Catarina, segundo a Cooperativa Regional Agropecuária de Campos Novos (Coopercampo), o preço médio ao produtor em fevereiro é de R$ 75 por saca de 60 quilos, 12,9% acima da média do mesmo mês de 2004, de R$ 66,4 por saca. A Conab estima para o Estado produção igual à primeira safra de 2003/04, de 120,9 mil toneladas. A Coopercampo, que reúne 3 mil produtores, apontou queda de 30% na sua produção de feijão da primeira safra, devido à estiagem. "Se não voltar a chover logo, vamos ter perdas na próxima safra, em evolução", afirmou Clebi Dias, diretor-executivo da cooperativa catarinense. Ele estima para a Coopercampo em 2005 produção de 7 mil toneladas de feijão, contra 5 mil no ano passado. No Rio Grande do Sul, pesquisa da Emater-RS apontou quebra de 29,65% na primeira safra, para 74 mil toneladas, quando a previsão inicial sinalizava 105 mil toneladas. De acordo com a entidade, o baixo índice pluviométrico deverá afetar o desenvolvimento também da segunda safra, que começa a ser colhida em abril. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Agricultura do Estado, estima retração de 13,2% na primeira safra, para 411,9 mil toneladas. Para a segunda safra, a previsão inicial da entidade era alta de 26,4% - para 194,9 mil toneladas -, mas, conforme relatório divulgado no dia 15, o plantio vem sendo prejudicado pela estiagem. O plantio foi feito em 63,9% da área prevista inicialmente e 27% desse total estão em situação regular ou ruim. No Brasil, a partir deste mês, o mercado começa a receber também feijão de Minas, Goiás e São Paulo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê aumento de 35% na safra mineira (233,2 mil toneladas), de 143% em Goiás (75,6 mil) e queda de 29,1% em São Paulo (97,1 mil).