Título: Pacote é adequado, avalia Meirelles
Autor: Nascimento, Iolanda ; Stecanella, Vanessa
Fonte: Gazeta Mercantil, 23/09/2008, Finanças, p. B1
23 de Setembro de 2008 - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse ontem que não há dúvidas de que a crise financeira deverá desacelerar o crescimento da economia mundial e a brasileira deverá acompanhar esse ritmo mais lento. Entretanto, a economia brasileira está mais resistente e em condição mais tranqüila para atravessar esse novo momento, uma vez que os fundamentos econômicos estão mais fortes. "O Brasil está menos vulnerável. No entanto, somos parte do ciclo, mas vamos enfrentá-lo em condições mais seguras", afirmou o presidente do BC, que considerou o pacote do governo norte-americano de injetar US$ 700 bilhões no sistema o caminho adequado para devolver a liquidez aos mercados. "É totalmente audacioso", observou, completando, contudo, que os bancos devem ainda registrar perdas, já que a compra dos títulos proposta pelo governo Bush não deverá devolver o valor real desses papéis, mas visa a estabilizar os preços e trazer à normalidade as operações bancárias. Meirelles demonstrou novamente firmeza ao afirmar que o Brasil tem condições de enfrentar o momento de crise pelo qual passa o mercado mundial. "Não subestimamos a crise, apenas estamos serenos em acreditar que o Brasil está fazendo a lição de casa para não precisar voltar a situações ruins do passado. O momento é sério e nós respeitamos, sim. Não é o momento de comemoração, mas de acompanhar o desenrolar da turbulência nos Estados Unidos", disse. Para o presidente do BC, que participou ontem de evento da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, em São Paulo, uma demonstração da força do Brasil são os últimos dados do Produto Interno Bruto (PIB), que cresceu 6,1% nos últimos 12 meses, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Isso já é altíssimo se considerarmos a nossa história." Conforme o executivo, a criação de 2 milhões de empregos formais nos últimos 12 meses, o crescimento de 6,5% da massa salarial no período e o aumento de 10,6% e de 6,6%, respectivamente, das vendas no varejo e da produção industrial no primeiro semestre são outros demonstrativos das melhores condições do País hoje, bem como a queda da dívida cambial e líquida e o aumento das reservas internacionais, que somaram US$ 208,7 bilhões no último dia 18. Além disso, Meirelles também destacou o aumento da população considerada classe média. "Quase 20 milhões de brasileiros cruzaram a linha da pobreza, resultado da estabilidade da economia e o que revela uma melhora da conjuntura nacional." Meirelles apresentou dados que revelam que de 2005 para 2007 a classe C aumentou de 34% para 46% da população, enquanto a classe D/E caiu de 51% para 39%. Já a classe A manteve-se em 15% na passagem de um ano para outro. Crédito O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, presente no evento, disse que o mercado de crédito brasileiro está normal e não foi afetado pelo agravamento da crise. Os prazos mais curtos praticados hoje pelo sistema e o aumento do custo do dinheiro, afirmou, são resultado principalmente da alta na taxa básica de juros (Selic). O Bradesco mantém suas previsões de aumento de até 29% na carteira de crédito para este ano, disse. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(Iolanda Nascimento e Vanessa Stecanella/InvestNews