Título: Incertezas no cenário externo puxam alta do dólar e juros
Autor: Góes, Ana Cristina
Fonte: Gazeta Mercantil, 24/09/2008, Finanças, p. B2

São Paulo, 24 de Setembro de 2008 - O dólar comercial voltou a fechar a sessão em forte alta após cair com a euforia do anúncio do pacote de ajuda do governo norte-americano ao sistema financeiro. A espera de que o pacote passe pelo Congresso para ser aprovado aumenta a expectativa e o nervosismo do mercado. A valorização do dólar frente às outras divisas no mercado internacional também contribuiu para a tendência de alta da moeda contra o real. "O mercado está sem parâmetro no curtíssimo prazo. Enquanto o pacote não for aprovado, o dólar vai ficar à mercê dos boatos e da especulação", avalia o gerente de câmbio da corretora Liquidez, Francisco Carvalho. O dólar comercial fechou ontem em alta de 2,01%, cotado a R$ 1,83 na venda. A moeda norte-americana acumula ganhos de 11,61% no mês e 2,99% no ano. "Após o ajuste no cenário externo, o dólar vai voltar a operar seguindo os fundamentos", afirma Carvalho. No mercado de juros futuros negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), os contratos encerraram o dia em alta. O clima de incerteza do cenário externo ofuscou o anúncio de deflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S). O indicador registrou deflação de 0,04%, o menor resultado desde julho de 2006 quando o índice registrou queda de 0,13%. O contrato DI de janeiro de 2010, o mais líquido, fechou com taxa anual de 14,87%, ante 14,79% do ajuste anterior. O DI de janeiro de 2012 apontou taxa anual de 14,76%, ante 14,52% do ajuste anterior. No curto prazo, as altas foram menores. O DI de outubro registrou taxa de 13,62%, ante 13,60% do último ajuste. Janeiro de 2009 fechou com taxa anual de 14,07%, contra 14,04% do último ajuste. No front externo, o mercado de petróleo viveu mais um dia de volatilidade. O preço do barril de petróleo WTI, negociado no pregão de Nova York, fechou o dia com desvalorização de 2,52% cotado a US$ 106,69. A commodity operou em território negativo durante todo o pregão e chegou a ser negociada em baixa de 3%. Nas bolsas de Wall Street, o dia foi de intensa volatilidade. Os índices abriram o pregão em alta, mas não conseguiram manter o otimismo, revertendo em baixa no meio da sessão. No final do dia, as bolsas aceleraram as perdas e encerraram com baixa superior a 1%. Ontem, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, pediu que o Congresso aprove o plano rapidamente, alertando que um atraso pode colocar a economia em risco, mas parlamentares responderam afirmando que ainda faltam alguns detalhes. O índice Dow Jones fechou em queda de 1,47%, nos 10.854 pontos. O índice S&P 500 registrou recuo de 1,56%, nos 1.188 pontos e o Nasdaq teve perdas de 1,18%, nos 2.153 pontos. "O mercado está operando na expectativa da aprovação do pacote do governo americano e teme que ele não seja suficiente para aplacar a crise no sistema financeiro. Ainda existem as dúvidas relativas ao custo de toda a operação", destaca o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. No mercado doméstico, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) seguiu Wall Street e terminou em baixa. A Bolsa paulista encerrou em queda de 3,78%, nos 49.593 pontos. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Ana Cristina Góes)