Título: Assentamentos do Incra lideram devastação
Autor: Ottoboni, Júlio
Fonte: Gazeta Mercantil, 30/09/2008, Nacional, p. A4
BRASÍLIA e Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2008 - O Incra encabeça a lista dos cem maiores devastadores da Amazônia e será processado por isso, disse ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Todas as seis maiores áreas desmatadas desde 2005 pertencem ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), perfazendo 223 mil hectares de matas derrubadas por colonos para vender a madeira e abrir espaço para lavouras. "Vamos detonar os cem, e depois outros", disse um irritado Minc em entrevista coletiva na qual divulgou a lista e prometeu processar os culpados. A notícia de que o Incra encabeça a lista dos devastadores deve dar força ao argumento dos grandes fazendeiros de que os camponeses pobres também são responsáveis pela destruição da Amazônia. Milhares de colonos vivem em propriedades do Incra, que não comentou a notícia. Outras cifras divulgadas por Minc mostram que proprietários privados desmataram três vezes mais que o Incra entre janeiro e agosto. Entre as propriedades particulares, o maior desmatador é o produtor Léo Andrade Gomes. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ele é responsável por 12,5 mil hectares de destruição de floresta nativa sem autorização dos órgãos ambientais no município paraense de Santa Maria das Barreiras. O nome do produtor também aparece na lista pela destruição de mais 2,6 mil hectares da reserva legal de outra propriedade, em Santana do Araguaia, também no Pará. Na comparação por estados, Mato Grosso reúne o maior número de desmatadores listados pelo Ibama, 50 dos 100. O Pará está em segundo lugar, com 37 campeões de desmatamento, seguido por Rondônia, com 7. Quatro outros produtores citados são do Amazonas, um de Roraima e um do Acre. 160 mil campos de futebol Cada um dos 100 maiores desmatadores do País é responsável pela devastação de uma área média de 1,6 mil hectares. Juntos, eles desmatam o equivalente a cerca de 160 mil campos de futebol, segundo informou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. De acordo com o estudo divulgado ontem pelo ministério, de 100 acusados de devastação apenas dez vão a julgamento e um é condenado. O ministro afirmou, entretanto, que pretende não apenas denunciar os suspeitos, mas garantir a punição dos criminosos. O ministro anunciou também a criação de uma nova polícia ambiental, com 3.000 homens fortemente armados e especialmente treinados para combater a destruição da Amazônia. Entre agosto de 2007 e julho de 2008, o total destruído chega a cerca de 12 mil quilômetros quadrados. É um resultado pior que o do ano anterior (11.224 quilômetros quadrados), mas ainda bem aquém do recorde de 27.739 quilômetros quadrados em 2004. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4)(reuters e Agência Brasil)