Título: EUA: pressão pela inclusão feminina
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Fonte: Correio Braziliense, 09/03/2011, Mundo, p. 15

Hillary Clinton diz que mulheres árabes devem ter direitos garantidos e espaço na transição Em discurso durante a entrega do Prêmio Internacional Mulher de Coragem, do Departamento de Estado, Hillary destacou que o governo americano apoiará uma campanha em prol dos direitos das mulheres no Oriente Médio. ¿Nos próximos meses e anos, as mulheres do Egito, da Tunísia e de outras nações terão os mesmos direitos que os homens para refazer seus governos e torná-los mais sensíveis, responsáveis e transparentes¿, afirmou. A chefe da diplomacia americana assegurou que Washington respaldará ¿firmemente¿ propostas que incluam as mulheres no processo de transição. ¿Nenhum governo pode triunfar se excluir metade de seus cidadãos das decisões importantes¿, frisou. ¿Naturalmente estaremos vigiando e o mundo vigiará.¿

Segundo Hillary, as mulheres que participaram das manifestações no centro do Cairo, que culminaram com a renúncia do presidente Hosni Mubarak, ¿estavam dizendo claramente que esperam ter uma voz e um voto no futuro¿. Porém, nenhuma mulher foi convidada a participar do comitê encarregado de redigir a nova Constituição do país ¿ reclamação já feita pelas egípcias e que foi lembrada pela chanceler americana. Outra reivindicação consiste na alteração do texto constitucional, que proíbe um candidato à Presidência de ser casado com uma ¿mulher¿ estrangeira, o que, por si só, já levaria à interpretação de que o país só pode ter presidentes homens.

O chanceler italiano também aproveitou a data comemorativa para lembrar as mulheres que têm seus direitos fundamentais negados, e citou o caso da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento em seu país. ¿Hoje o meu pensamento vai para as tantas Sakinehs do mundo, que ainda veem distante o horizonte da liberdade e dos direitos fundamentais¿, afirmou. A mensagem vem em meio a mais um escândalo envolvendo o premiê Silvio Berlusconi, que ontem levou milhares de mulheres italianas às ruas para pedir a sua condenação no caso Rubygate.

Homenagem O Departamento de Estado elegeu 10 mulheres que representam o valor feminino em todo o mundo para premiação. Entre as escolhidas, estão a presidente do Quirguistão, Rosa Otunbayeva, e Maria Bashir, procuradora da província afegã de Heart, além de duas latino-americanas ¿ a blogueira cubana Yoani Sánchez, que desafia a repressão do regime comunista em seus posts, e a subprocuradora mexicana Marisela Morales, responsável por um programa de proteção a testemunhas.

Yoani, que mais uma vez não pôde sair do país para receber um prêmio, foi descrita pela primeira-dama, Michelle Obama, como ¿uma jornalista e uma blogueira que conta histórias que ninguém mais escreve¿. ¿Quando foi censurada pelo Estado, ela continuou com o que chama de rede cidadã, uma rede de pessoas que moram fora de Cuba que a ajudam a publicar suas notas. Seus escritos são atualmente traduzidos para 15 idiomas¿, afirmou Michelle, que esteve na cerimônia. A subprocuradora mexicana, por sua vez, recebeu o prêmio por ¿sua incansável dedicação ao combate ao crime organizado e à corrupção¿, segundo Hillary.

Na véspera, a secretária de Estado foi apontada pela revista Newsweek como a segunda mulher mais admirada dos EUA. A ex-primeira-dama só perdeu para a popular apresentadora de televisão Oprah Winfrey, segundo uma enquete realizada pela publicação. O terceiro lugar ficou com Michelle Obama, seguida da ex-chanceler Condoleezza Rice.

Troca de elogios Juntas na cerimônia de entrega do Prêmio Internacional Mulher de Coragem, do Departamento de Estado norte-americano, a primeira-dama Michelle Obama e a secretária de Estado, Hillary Clinton, não pouparam mútuos elogios. Segundo Michelle, Hillary é uma amiga e ¿uma secretária de Estado e tanto¿. ¿Ela tem sido um presente incrível, não só para nosso país, mas para o resto do mundo¿, disse a primeira-dama. ¿Estamos muito contentes que ela faz parte desse governo.¿ Ela ainda agradeceu a amizade, gentileza, apoio e conselhos da antecessora com a família Obama. Hillary, em resposta, exaltou o trabalho feito por Michelle com mulheres e meninas em todo o mundo. ¿Ela as inspira, as desafia, e exemplifica o tipo de força, calor e graça que tantos de nós aspiram para nossas próprias filhas¿, afirmou. Os elogios em nada se assemelham à troca de farpas entre os Obamas e Hillary durante as prévias democratas à Casa Branca, quando a ex-primeira-dama e o atual presidente eram rivais.