Título: Gabeira nega ser anti-Lula no Rio
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 03/10/2008, Política, p. A7

Rio de Janeiro, 3 de Outubro de 2008 - Único dos quatro principais candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro que não pertence à base política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Gabeira (PV) negou ser o candidato anti-Lula nas eleições cariocas. "Não tenho nada anti-Lula, não sou anti-ninguém. Se eu fosse escolher ser anti-alguém, eu não seria anti-Lula", disse Gabeira ao participar de caminhada em Bangu, zona Oeste do Rio. A ascendência de Gabeira nas últimas pesquisas de intenção de votos e sua coligação com o PSDB despertaram preocupações em setores do PT de que uma possível vitória sua daria palanque importante ao candidato tucano às eleições presidenciais de 2010. "Tenho divergências com ele, nunca deixei de explicitar essas divergências. E tenho até dúvidas sobre quem Lula acha o melhor candidato para o Rio de Janeiro. Se perguntarem, acho que ele vai vacilar", acrescentou. Segundo a pesquisa Datafolha, Gabeira tem 17% das intenções de voto, tecnicamente empatado com Marcelo Crivella (PRB), que está com 19%. O candidato do PMDB, Eduardo Paes, lidera a corrida, com 29% das preferências. Apesar das alianças com adversários do presidente, Gabeira evitou a pecha de candidato anti-Lula no momento em que o presidente desfruta de popularidade de 80%, segundo pesquisa CNI/Ibope. O candidato do PV disse também que, no Rio, não há intenção de nacionalizar a campanha municipal nem de transformá-la "numa polarização idêntica à de 2010". Gabeira está certo de que Lula não participará da disputa carioca, como tem feito em São Paulo. Para ele, o Rio está em situação difícil, e envolver a eleição municipal com a sucessão presidencial de 2010 dificultaria a resolução dos problemas da cidade. Calcanhar de Aquiles Ontem, Gabeira investiu numa fatia do eleitorado vista como seu calcanhar de Aquiles: o público de menor renda, pouca instrução e morador de zonas periféricas da cidade. Em manhã nublada e com chuva, o candidato fez corpo-a-corpo com eleitores no calçadão comercial de Bangu. Segundo ele, os eleitores de baixa renda hoje o reconhecem e estão aderindo à sua candidatura. "É um tipo de pessoa que você diria, naturalmente, que não é meu eleitor, que não me conhece, e hoje já conhece e acena. Acho que mudou muito e para melhor", comentou. As duas entradas do calçadão de Bangu estavam ocupadas por cabos eleitorais e carros de som de Eduardo Paes , embora o candidato estivesse em outro bairro. Além do apoio do governador Sérgio Cabral, o peemedebista conta com o maior orçamento de todas as campanhas cariocas. Segundo o cientista político Cesar Romero Jacob, da PUC-Rio, Gabeira não tem a máquina partidária de Paes para penetrar em áreas pobres da cidade. Entre outros aspectos dessas máquinas, estão as alianças com vereadores e líderes locais. "Para ganhar eleição na cidade, o candidato precisa de discurso para a classe média escolarizada, na Barra da Tijuca, na zona Sul e na Tijuca, e as máquinas nas áreas pobres, onde os serviços públicos não funcionam e prevalece o clientelismo", explicou. (Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Reuters)