Título: Projeção da taxa básica de juros em 2008 cai para 14,50%
Autor: Aliski, Ayr
Fonte: Gazeta Mercantil, 21/10/2008, Nacional, p. A4

Brasília, 21 de Outubro de 2008 - Com a perspectiva de uma desaceleração mais expressiva da economia em 2009 com a crise internacional, o mercado financeiro reduziu a projeção para a taxa Selic no final deste ano. Conforme a mais recente edição do boletim Focus do Banco Central, as expectativas de mercado indicam que a Selic vai encerrar 2008 na marca de 14,50% ao ano. Uma semana antes, o Banco Central apurava perspectiva de mercado de que a Selic estaria na faixa de 14,75% ao ano no final de 2008. Para o final de 2009, a projeção é que a Selic estará na marca de 13,50% ao ano, a mesma aposta verificada uma semana antes.

Os dados referem-se às percepções apuradas pelo BC junto ao mercado na última sexta-feira, 17 de outubro. Os analistas consultados estimam um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano de 5,22%, ante 5,23% na semana anterior . Em 2009 a projeção foi reduzida de 3,50% para 3,35%.

A aposta de mercado para Selic considera, portanto, novas elevações até dezembro de 2008 em relação ao patamar atual, de 13,75% ano. Até o final do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem duas rodadas de reuniões: a primeira em 28 e 29 de outubro e a última nos dias 09 e 10 de dezembro. A taxa básica de juro da economia é o principal instrumento de política monetária do Banco Central para manter a inflação sob controle.

A meta de inflação estabelecida pelo Governo é de variação de 4,5% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) este ano, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Ou seja, a inflação deverá atingir, no máximo, 6,5% este ano. E conforme aponta o mercado, o topo da meta está cada vez mais perto. Para o IPCA, a variação estimada em 12 meses ao final deste ano é de 6,23%, frente expectativa de 6,20% de uma semana antes. Para 2009, a projeção do IPCA também subiu de 4,80% para 4,90% e, no acumulado de 12 meses, avançou de 5,13% para 5,25%.

O câmbio, que é outro fator que pode afetar a inflação, também deve ter comportamento pior do que o esperado até o final do ano. Segundo indica o boletim Focus, as estimativas do mercado são de dólar no patamar de R$ 1,90 ao final deste ano. Uma semana atrás havia previsão de que o câmbio encerraria o ano na marca de US$ 1,85. Para o final de 2009, o mercado acredita que o dólar estará no mesmo nível que no final deste ano: R$ 1,90.

Expectativas ligeiramente melhores, entretanto, foram observadas pelo BC quanto ao comportamento da balança comercial brasileira em 2008. O mercado aposta em superávit de US$ 24 bilhões. Uma semana antes, o mercado apostava em superávit comercial de US$ 23,88 bilhões. Para 2009, o mercado acredita em superávit da balança comercial de US$ 12,70 bilhões, frente apostas de saldo positivo de US$ 12 bilhões, há uma semana.

Mantém-se inalterada em relação à última semana as expectativas quanto ao fluxo de investimentos estrangeiros diretos em 2008, que deverão atingir US$ 35 bilhões no ano. Apesar do otimismo quanto ao resultado da balança comercial e de manter estimativas em relação ao fluxo de investimentos estrangeiros, o mercado manteve a projeção de déficit em conta corrente de US$ 29 bilhões, conforme indicado na semana anterior. Para 2009, a estimativa é que o déficit em transações correntes seja de US$ 33,23 bilhões, enquanto que uma semana antes a expectativa era por resultado negativo de US$ 33,10 bilhões para o próximo ano.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4)(Ayr Aliski)