Título: BNDES vai investir na construção civil
Autor: Lorenzi, Sabrina
Fonte: Gazeta Mercantil, 23/10/2008, Finanças, p. B3

Rio de Janeiro, 23 de Outubro de 2008 - Pouco antes de a crise financeira se revelar, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acelerou o processo de participação acionária nas empresas brasileiras. O movimento de estatização vai crescer ainda mais: a instituição vai apoiar empresas da construção civil e estuda como entrar no setor. Uma alternativa quase dada como certa é a compra de ações de construtoras, por meio da BNDESPar.

A preocupação do governo em anunciar medidas de apoio ao setor imobiliário tem fundamentos sérios na economia. O setor emprega 7% da população ocupada no País - 6,1 milhões de pessoas - e também responde por cerca de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O foco na construção civil é inédito do BNDES, pois este papel sempre coube à Caixa Econômica Federal (CEF). O banco até o momento não financia nem apoia construtoras com participação acionária. Tem participação em pelo menos 180 empresas, mas não atua no setor.

A BNDESPar aumentou os investimentos em capital de empresas em 25% no primeiro semestre do ano - o equivalente a R$ 5 bilhões. Os investimentos em participações saltaram de R$ 15,7 bilhões para R$ 20,9 bilhões, segundo o valor contábil registrado no último balanço financeiro da instituição. Já o valor de mercado, que reflete o movimento das bolsas de valores, recuou de R$ 88 bilhões para R$ 86 bilhões.

O impacto da crise na carteira de ativos só será divulgado pelo banco na divulgação das demonstrações do segundo semestre deste ano. Fontes do banco não de-monstram preocupação com as perdas no valor das ações, já que o BNDES "não compra ativos com foco no curto prazo", mas com vistas ao "desenvolvimento estratégico do País". O BNDES, aliás, já usou a carteira de ações para intervir na gestão de empresas como a mineradora Vale do Rio Doce. Recentemente, o banco adquiriu ações da Telemar e do frigorífico Friboi.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Sabrina Lorenzi)