Título: Maranhão busca recursos para investir em infra-estrutura
Autor: Ramos, Etiene
Fonte: Gazeta Mercantil, 29/10/2008, Nacional, p. A4
São Luis (MA), 29 de Outubro de 2008 - Preparado para equilibrar suas contas a partir de dezembro, o Governo do Maranhão deu início ontem a um seminário com o Banco Mundial (Bird) em busca de caminhos para viabilizar a infra-estrutura que vai precisar construir a fim de garantir a implantação de empreendimentos privados que somam R$ 4,5 bilhões, além dos US$ 20 bilhões da Refinaria Premium, da Petrobras, e outros US$ 4,1 bilhões da Companhia Siderúrgica do Mearim, do grupo Arizonia. "Não é fácil avaliar o desdobramento econômico e social com a instalação da refinaria, do pólo siderúrgico e de celulose. E é para isso que estamos bantendo na porta do Bird, bancos públicos nacionais e das universidades que já desenha o seu papel nessa nova realidade do Estado", afirmou o governador do Maranhão, Jackson Lago, na abertura do encontro "Parceria Público-Privada para uma nova era de Desenvolvimento no Maranhão", realizado em São Luis.
Ao assumir o governo, em janeiro do ano passado, Lago herdou uma dívida de R$ 6 bilhões, o que representava um comprometimento entre a receita e a dívida púbica da ordem de 1 para 1,8, impedindo o Estado de tomar empréstimos com organismos multilaterais. Com o PIB de 2007 estimado em R$ 35 bilhões, a partir do ano que vem, com o ajuste fiscal, o cenário muda e o Bird promete ser um parceiro que irá além do repasse de recursos. "Financiamento não é o mais importante. Temos recursos humanos, muita gente com experiência, o que representa conhecimento, e o Bird está disposto a dar o aval, a dar prestígio e ser um parceiro para catalisar todas as propostas", afirmou o diretor do Banco Mundial no Brasil, John Briscoe, estimando para daqui a nove meses um escopo do trabalho a ser executado com o Maranhão.
Segundo ele, a parceria abre ainda a perspectiva internacional e traz experiências de todo o mundo que poderão ser úteis ao momento histórico que vive a economia maranhense, recebendo investimentos de dezenas de milhões de dólares que trazem muitos ativos e também desafios, com exemplos reais em outros países de dois caminhos: o Estado quebrou e não tem capacidade de se desenvolver e os investimentos trazem mais danos que soluções ou o Estado fez das oportunidades mais qualidade de vida para a população e crescimento. "O Maranhão tem capacidade de endividamento e vamos desenhar uma parceria para atender empresas que precisam de formação de mão-de-obra e permitir que elas também participem, com o Estado sendo um parceiro do setor industrial e social", afirmou Briscoe.
O programa "Maranhão Profissionalizado", encampado pela Universidade Estadual do Maranhão, e um convênio com a Universidade de São Paulo (USP) para estudos de licenciamento ambiental, o Maranhão mostra-se empenhado em qualificar seus profissionais e prepará-los para as exigências socioambientais do desenvolvimento. "Aqui não queremos só o investimento, mas que ele venha com compromisso ambiental, sustentabilidade social e que zelem pela manutenção dos seus empreendimentos", afirma o secretário de Programas Especiais do Maranhão, Luiz Raimundo Azevedo.
Porto de Itaqui
O Porto de Itaqui, mais próximo dos Estados Unidos e da Europa e, daqui a cinco anos, da Ásia, com a abertura do Canal do Panamá, é um dos principais ativos do Maranhão para a atração de investimentos. A mudança de comando acionada pelo convite do governador Jackson Lago ao maranhense Angelo Batista, que deixou o Porto de Vitória para presidir a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) aponta para a perspectiva de assegurar recursos e expertise que garantam a expansão do porto e seu alcance regional.
Lago convidou os Estados do Pará, do Mato Grosso e do Tocantins para tomarem assento no Conselho Administrativo do Porto, considerando que ele é do interesse de todos para escoamento da produção agrícola e dos minérios do Centro-Norte.
Para tanto, conta com a força dos grandes projetos agendados que incluem três siderúrgicas, a da Companhia Vale do Rio Doce (Vale), de R$ 60 milhões e que tem uma termoelétrica como projeto complementar; a do grupo Ferroeste, de R$ 331 milhões, também com termoelétrica acoplada e a do Grupo Arizônia, de US$ 4,1 bilhões - todas com produção voltada para o mercado externo. O mesmo destino do diesel que será produzido pela Refinaria Premium. Com capacidade inicial de 300 mil barris dia, chegando a 600 mil, a Premium deverá demandar a instalação de mais um píer próprio da Petrobras em Itaqui.
O projeto do Estaleiro Naval, dos grupos Sinergy e Jurong,um investimento destinado a produzir navios e plataformas de petróleo, também tem Itaqui em sua base, assim como o terminal de grãos do Maranhão, o Tegram que será construído por empresas privadas. "Temos um porto público com várias opções de atuação da iniciativa privada: terminais de uso misto, privado ou públicos com operadores portuários contratados. De fato, Itaqui é crítico para o sucesso dos empreendimentos", analisa Angelo Batista. Para ele, a crise mundial não impedirá os investimentos, apenas aumentará a seletividade. "Só onde tiver vantagem competitiva consistente é que eles irão acontecer", afirma, ressaltando as condições naturais do Porto que requer investimentos baixos em comparação com outros e tem muita área para expansão industrial. No aguardo de R$ 260 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que já começa a ser liberado pela Secretaria Nacional dos Portos para a retomada de obras de construção e recuperação de três cais, Batista trabalha com a expectativa de multiplicar os recursos para que Itaqui ganhe uma maior dimensão nacional. "O Porto de Itaqui vai ser um instrumento para alavancar os empreendimentos para o Estado e o país. Vamos trabalhar com a visão do setor privado, eficiência, agilidade e flexibilidade, mas todos os procedimentos de uma empresa pública", declara.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4)(Etiene Ramos)