Título: Escassez de crédito leva banco médio a cortar funcionários
Autor: Nascimento, Iolanda
Fonte: Gazeta Mercantil, 31/10/2008, Finanças, p. B3
31 de Outubro de 2008 - A crise mundial já mostra seus resultados mais perversos no sistema financeiro brasileiro. Diante da escassez de liquidez, os bancos de médio e pequeno portes diminuíram as operações de crédito e, em conseqüência, estão reduzindo de tamanho e enxugando custos e o quadro de pessoal para se alinhar à nova estrutura. O Banco Daycoval informou ontem que está reduzindo em 10% seu quadro de funcionários, hoje em torno de 700 colaboradores, em uma readequação organizacional. As áreas mais afetadas são as voltadas para operações de varejo, segmento em que pretende desacelerar. O Banco Pine também anunciou ontem demissões, assim como fez o Banco Indusval Multistock há poucos dias, quando descontinuou suas atividades na área de crédito ao consumidor.
Conforme o superintendente do Daycoval, Carlos Lazar, o banco já está conduzindo o processo de redução de pessoal, que se soma ao esforço de diminuição das despesas administrativas e com a contratação de terceiros, como trabalhos de consultorias e de assessorias. A idéia, conforme Lazar, é manter as despesas estáveis, já que também houve um crescimento devido ao dissídio da categoria. O executivo enfatizou que não planeja mais cortes.Outra instituição financeira de médio porte cujas reduções na operação para pessoas físicas já se refletem em cortes de pessoal é o Pine. O banco, que ao final do terceiro trimestre do ano passado tinha 392 funcionários, conta atualmente com 372. Isso ajudou a reduzir as despesas administrativas em mais de 23%, segundo informou ontem, no balanço.
Lazar disse que o Daycoval não ficará exatamente menor, mas num curto prazo a carteira tende a retrair, com tendência de voltar aos níveis atuais em médio prazo, quando poderá retomar o crescimento ou manter a estabilidade, conforme a contaminação do cenário macroeconômico. "O tamanho do banco nos próximos 12 meses talvez seja o que é hoje."
"Vivemos um momento agudo da crise, com reflexos profundos aqui dentro (no País), mas não estamos ainda mudando estratégias de longo prazo", disse Gilberto Meiches, vice-presidente do Banco Sofisa, que afirmou não há corte de pessoal, já que tem estrutura enxuta, mas busca outras alternativas de redução de gastos, como melhoria na produtividade e investimento em tecnologia.
O Banco Indusval desligou 28 funcionários há cerca de 15 dias de um total de 57 que cuidavam da carteira de varejo, em função da descontinuidade do negócio. Focado no empréstimo para empresas, o banco vinha testando o ingresso nessa área, que em junho representou menos de 1% do total da carteira, mas desisitiu por conta da crise.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Iolanda Nascimento e Luciano Feltrin)