Título: Copom mantém taxa Selic em 13,75%
Autor: Aliski, Ayr
Fonte: Gazeta Mercantil, 30/10/2008, Finanças, p. B1
São Paulo, 30 de Outubro de 2008 - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interrompeu uma série de quatro altas e decidiu ontem pela manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, em linha com a expectativa da maior parte do mercado. A decisão do foi unânime e sem viés.
"Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Copom decidiu por unanimidade, neste momento, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés", informou o colegiado em comunicado. O atual cenário de incertezas, com a possibilidade de uma recessão mundial e a escassez de crédito levaram o colegiado a interromper o ciclo de aperto monetário e optar pela manutenção da Selic.
"O comunicado destacou a palavra incerteza e a avaliação do Copom é que desde setembro o mundo mudou. Tomamos um susto com o câmbio e com o crédito, mas nos últimos dias ficou mais claro que não é preciso elevar o juro básico para levar o câmbio para um patamar razoável. Com a desaceleração econômica, a melhor coisa que o Copom faz é ganhar 45 dias para ver o que acontece", avalia o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Walter Machado de Barros, a decisão do Copom mostra que o Banco Central está sensível às necessidades do mercado. "Com a desaceleração da demanda, a manutenção da Selic foi uma decisão natural", afirma o especialista.
Segundo o economista-chefe da corretora Gradual, Pedro Paulo Silveira, "prevalece a idéia de que a queda no preço das commodities neutraliza o câmbio e que a possibilidade de um choque monetário paralisaria a economia."
O diretor da Daycoval Asset Management, Roberto Kropp, afirma que o atual cenário justifica esta parada técnica no aperto monetário. "A queda na oferta por crédito, a redução da confiança dos empresários na economia, a piora nas perspectivas de crescimento, cortes de investimentos em geral e queda nas expectativas de lucro levaram a essa parada técnica, apesar da desvalorização do real que pode vir a impactar os preços no varejo", disse Kropp.
O economista-chefe da corretora Concórdia, Elson Teles, prevê uma ata do Copom - que será divulgada na próxima quinta-feira - austera. "O Copom pode sinalizar a possibilidade de uma retomada no processo de alta na taxa Selic caso o cenário para a inflação se deteriore."(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(Ana Cristina Góes)