Título: BC receberá US$ 30 bilhões do Fed
Autor: Aliski, Ayr
Fonte: Gazeta Mercantil, 30/10/2008, Finanças, p. B1

Brasília, 30 de Outubro de 2008 - O Banco Central do Brasil anunciou ontem uma troca (swap) de dólares por reais com a autoridade monetária dos Estados Unidos. A medida pode liberar até US$ 30 bilhões, que vão se somar às reservas líquidas do País. O acordo vale até 30 de abril. "Existe um significado muito importante nesse acordo, que é a inclusão formal do Brasil com as economias sistemicamente importantes do mundo", avaliou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na noite de ontem.

O mercado considera a medida positiva, dando mais um sinal de que o BC brasileiro tem poder para segurar a escalada do dólar. As reservas internacionais brasileiras, no conceito de liquidez internacional, somavam US$ 203 bilhões em 28 de outubro. Com a medida, as reservas ultrapassam potencialmente os US$ 230 bilhões.

"Temos mais dólares que podem ser usados em intervenções cambiais", explica Carlos Tadeu de Freitas, chefe da divisão econômica da Confederação Nacional do Comércio e ex-diretor do Banco Central. Ele disse que a medida dá o recado positivo de que há mais munição para conter a crise. Outra boa notícia é a de que o Brasil entra no clube de países que trocam moeda com o Fed. "Nossa moeda é aceita como lastro."

Linhas semelhantes foram fechadas pelo Fed com bancos centrais e autoridades monetárias de Cingapura, Coréia, México, em valores e prazos iguais aos do Brasil. Mecanismos semelhantes já haviam sido acertados com Austrália, Canadá, Dinamarca, Inglaterra, Noruega, Nova Zelândia, Suécia, Suíça e União Européia.

A linha não implica em condicionalidades de política econômica brasileira e será usada para incrementar os fundos disponíveis para aumentar a liquidez em dólares pelo BC.

O economista Cristiano Souza, do Banco Real, destaca que o importante é que a linha tenha sido firmada com outros países. "É um mecanismo para dar maior liquidez aos mercados." Souza disse que a operação guarda fortes diferenças com empréstimos feitos com o FMI, como na crise de 1998. Ele explica que, no final da última década, o Brasil tomou US$ 41 bilhões do FMI, que passaram a integrar as reservas. Naquela operação, os recursos poderiam ser utilizados em condições restritas, ou seja, para honrar pagamento de juro e amortização da dívida externa. Agora não há limitação e tampouco o Brasil está pendurado em débitos. Pelo contrário, é credor externo.

"Na medida que outros países emergentes não sofrerem muito, será melhor para o Brasil", disse Francisco Pessoa, da LCA Consultoria. Ele reforça que o dólar não está em seu patamar de equilíbrio, e que o acordo ajudará a fazer as cotações retornarem a patamares mais baixos.

"Isso é uma ótima notícia", disse Natan Blanche, sócio-diretor da Tendências. Para ele, a medida eleva para US$ 250 bilhões as reservas cambiais, contabilizando também operações de swap cambial reverso que o BC tem no mercado, ou seja, US$ 20 bilhões que irão ingressar, agindo como um antídoto contra a supervalorização no câmbio.(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(Ayr Aliski)