Título: Emissões de dívidas e ações caem 27,8% entre janeiro e outubro
Autor: Rosa, Silvia
Fonte: Gazeta Mercantil, 06/11/2008, Finanças, p. B5

São Paulo, 6 de Novembro de 2008 - A crise financeira internacional tem tido impacto significativo sobre as operações no mercado de capitais. O volume das emissões de renda variável e de dívida de janeiro a outubro de 2008 apresentou redução de 27,8% comparado ao mesmo período de 2007, segundo dados divulgados ontem pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).

Diante da falta de liquidez para papéis de longo prazo, as empresas têm buscado captar recursos por meio de emissões com prazos mais curtos, aumentando também o interesse por securitização.

No acumulado do ano até outubro, as emissões de renda fixa apresentaram redução de 12,4% somando R$ 54,5 bilhões correspondente a 241 operações. Já os lançamentos debêntures recuaram 44,46% para R$ 22,9 bilhões, contra R$ 41,3 bilhões registrados no ano passado. Destaque no período para as emissões de notas promissórias que aumentaram 77,6%, somando R$ 16,6 bilhões. "Hoje quase não há liquidez para papéis de longo prazo como debêntures, cujo prazo médio caiu de seis para cerca de dois a três anos. Com isso, as empresas têm buscado rolar suas dívidas no curto prazo, embora com taxas de juros mais altas", diz Luiz Fernando Resende, vice-presidente da Anbid.A maior parte dos recursos captados é destinada para a aquisição de participações acionárias (44,2%), seguido pelo levantamento de capital de giro (36,5%), recompra ou resgate de debêntures de emissão anterior (10,7%), implantação de projetos (4,1%), redução de passivos (2,7%) e alongamento da dívida (1,8%).

Securitização

As operações de securitização também têm crescido com a contração do mercado de crédito. Só as emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) aumentaram 208,33% de janeiro a outubro de 2009, somando R$ 3,75 bilhões, contra R$ 1,52 bilhões levantados no mesmo período do ano passado. "Contando as nove ofertas em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que somam R$ 481 milhões, com o total registrado até outubro em CRIs já se atinge o volume projetado para este ano que era de R$ 4 bilhões", destaca Fernando Cruz, diretor da Brazilian Securities.

Cruz afirma que as emissões de CRIs já vinham crescendo nos últimos anos, e que embora tenham apresentando um aumento das taxas de juros com a crise, devem continuar aquecidas. "Mesmo que ocorra um freio nos projetos das construtoras, os estoques de recebíveis performados (quando a construção dos imóveis já foi concluída) ainda são grandes e podem ser securitizados pelas empresas imobiliárias para levantar caixa pa-ra novos empreendimentos", diz.Além disso, com a falta de crédito no mercado, Cruz afirma que começa a haver um interesse maior dos bancos para securitizar suas carteiras de financiamento imobiliário. A Brazilian Securities realizou no ano passado a primeira operação com lastro em direitos creditórios originados por bancos, com a distribuição pública de R$ 100 milhões em CRIs, lastreados em recebíveis da carteira de crédito imobiliário cedida na época pelo banco ABN Amro Real.

Cruz destaca ainda que a edição da instrução 472/08, publicada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última sexta-feira -que permitiu a aplicação dos fundos imobiliários em ativos mobiliários, entre eles os CRIs - deve favorecer o aumento da alocação nesses papéis.

As emissões de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) também apresentaram crescimento, com avanço de 7,70% de janeiro a outubro comparado com o mesmo período do ano passado.

Já as ofertas de ações recuaram 43,4%, somando R$ 34,88 bilhões, referente a quatro operações de Oferta Pública Inicial (IPO) e 11 operações que representam novas ofertas de ações de empresas já listadas (follow-ons). Encontram-se em análise na CVM seis pedidos de abertura de capital. A maior parte dos recursos das ofertas primárias de ações foi destinada para aquisição de participação acionária (56,3%) e capital de giro (27,8%).

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 5)(Silvia Rosa)