Título: Petros busca porto seguro na renda fixa
Autor: Monteiro, Ricardo Rego
Fonte: Gazeta Mercantil, 07/11/2008, finanças, p. B3

Rio de Janeiro, 7 de Novembro de 2008 - Em meio às turbulências que levaram à lona os mercados financeiros no mundo todo, a Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, encontrou na renda fixa o antídoto para reduzir os efeitos da crise no curto prazo. Para o próximo ano, porém, o presidente da Petros, Wagner Pinheiro, projeta uma recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo capaz de carrear para o País os recursos de investidores institucionais que buscam aplicações nos mercados de países classificados como grau de investimento.

Embora já tenha admitido publicamente a perspectiva de o fundo encerrar 2008 sem alcançar a meta atuarial (INPC mais 6%), o executivo revela uma ponta de esperança em um resultado superavitário ainda neste ano. Para isso, projeta, o Ibovespa precisaria encerrar o ano aos 63 mil pontos - e não com os 45 mil pontos projetados pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

Com relação aos investimentos futuros, ele confirmou as participações nos setores de infra-estrutura e logística como estratégicas para assegurar o melhor retorno nos próximos anos. Como exemplo, cita o aporte no BRZ - Fundo de Investimento em Participações, que recentemente adquiriu uma fatia da América Latina Logística.

Também no segmento de transportes, especificamente no rodoviário, o fundo de pensão também se tornou sócio, juntamente com a Funcef (a caixa previdenciária dos economiários), da Invepar, a empresa de participações em rodovias que adquiriu, na semana passada, a concessão da rodovia Raposo Tavares, em São Paulo. O executivo não citou os valores dos dois negócios.

Apesar do otimismo com a renda variável, Pinheiro admite que, no auge da crise, a renda fixa tem se confirmado como o porto seguro das aplicações dos fundos. Investimentos como debêntures e fundos de direitos creditórios, revela, têm oferecido os melhores retornos, com taxas que superam em até dois pontos percentuais o rendimento dos títulos públicos.

"Uma coisa está bem clara para nós neste momento: a crise criou a oportunidade para ganharmos mais dinheiro", sentencia Pinheiro, ao prever uma situação relativamente estável para o mercado brasileiro nos próximos meses. "O Brasil vai crescer menos? Vai, com certeza, mas os efeitos da crise se darão por meio de uma desaceleração de 6% para 3% no próximo ano. Ou seja, enquanto outros países terão recessão, teremos, no máximo, uma desaceleração. E mesmo assim que resultará em uma taxa de crescimento acima da média do PIB da década passada."

Embora a Petros dificilmente consiga atingir a meta atuarial neste ano, o executivo faz questão de lembrar que, em termos estruturais, todos os cerca de 30 fundos administrados pela Petros encontram-se equilibrados - com um nível de patrimônio suficiente para cobrir os pagamentos dos benefícios previstos para os próximos anos. Para isso, esclarece, pesou a repactuação do Plano Petros BD (benefício definido), cuja execução foi formalizada no último dia 23 de outubro, por meio de um acordo entre os patrocinadores, os participantes e a Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Como lembra Pinheiro, o acordo só se tornou possível porque os participantes e os sindicatos acertaram o modelo para a pactuação. Pelo acordo, a Petrobras deverá aportar o equivalente a R$ 5,7 bilhões, nos próximos anos, por meio de títulos públicos federais. "A execução do acordo será fundamental para o equilíbrio de longo prazo de todos os nossos fundos."

O equilíbrio, revela Pinheiro, se reflete nos números de outubro da instituição. Com 127 mil participantes e um patrimônio total de R$ 44 bilhões, a Petros tem uma arrecadação anual de R$ 1,4 bilhão. Suficiente, segundo o executivo, para os desembolsos anuais de R$ 700 milhões com o pagamento de benefícios. O grosso dos benefícios previstos para a Petros têm desembolso previsto para daqui a 20 anos.

No longo prazo, o equilíbrio dos benefícios do fundo de pensão está sustentado em uma estrutura de investimentos e despesas que se resume a três etapas. Para as aposentadorias previstas para os próximos dois anos, o fundo dispõe de um estoque de títulos públicos federais mais do que suficiente, segundo Pinheiro. As aplicações em renda fixa privada, como as debêntures e fundos de direitos creditícios, lastreiam com folga, por sua vez, os benefícios previstos para o período de dois a cinco anos. Para os desembolsos esperados para prazos superiores a cinco anos, estão reservados os recursos dos investimentos em ações e imóveis.

"Nossa expectativa é que muito antes disso, já no próximo ano, ocorra uma recuperação da bolsa. Não acredito que em 2009 ela deva continuar a cair como neste ano. E quando houver essa recuperação, o mercado brasileiro deverá atrair aqueles investidores institucionais que só aplicam recursos nos mercados de países com o chamado grau de investimento", afirma Pinheiro.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Ricardo Rego Monteiro)