Título: Pacote de medidas chinês estimula alta de ações, metais e petróleo
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Fonte: Gazeta Mercantil, 11/11/2008, Internacional, p. A12
Pequim, 11 de Novembro de 2008 - A decisão da China de colocar em ação um plano de 4 trilhões de iuanes (US$ 586 bilhões) para sustentar sua economia, impulsionou a valorização de bolsas de valores, metais e petróleo. A China é o país que mais contribui para o crescimento mundial. O gabinete chinês prometeu "investimentos rápidos e maciços" em habitação e infra-estrutura até 2010 e uma política monetária "relativamente liberal", segundo comunicado do Conselho de Estado chinês divulgado anteontem.
O cobre deu um salto de mais de 8% e as ações asiáticas subiram, puxadas pelo otimismo de que o pacote possa limitar a gravidade da recessão mundial que se aproxima e estimular esforços coordenados para reavivar o crescimento. O presidente da China, Hu Jintao, participará das conversações sobre a crise com dirigentes mundiais agendadas para este final de semana em Washington, onde o presidente eleito norte-americano Barack Obama prometeu aprovar medidas de estímulo.
"Esse plano é, sob todos os aspectos, grande demais para ser ignorado", disse Kevin Lai, economista do Daiwa Institute of Research, de Hong Kong. A China poderá "ajudar o resto do mundo, ao criar mais demanda para produtos e serviços estrangeiros."
O Índice CSI 300 de ações da China teve alta de 7,4%, seu maior aumento nas últimas sete semanas. O cobre chegou a subir até 8,4% em Londres. O petróleo bruto, o Índice MSCI Asia Pacific de ações e algumas moedas de países asiáticos também subiram.
A China respondeu por 27% do crescimento da economia mundial no ano passado, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo não revelou que parcela dos gastos já tem destino traçado e deu a entender que parte deles será constituída de investimentos privados.
"Se os chineses empregarem isso como uma iniciativa diplomática, pode ser um passo importante rumo a uma reação mais coordenada", disse, em Boston, Simon Johnson, pesquisador-visitante-sênior do Peterson Institute for International Economics e ex-economista-chefe do FMI.
O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 9% no terceiro trimestre, seu ritmo mais lento dos últimos cinco anos, com a queda das encomendas por produtos chineses de exportação, da produção industrial do país e de seu mercado imobiliário. "Nos últimos dois anos, a crise financeira mundial se intensificou diariamente", disse o Conselho de Estado no comunicado.
O plano chinês equivale a cerca de 80% dos gastos do governo no ano passado. O pacote separa 100 bilhões de iuanes em gastos do governo central neste trimestre para habitações de baixo valor de locação, infra-estrutura rural, estradas, ferrovias e aeroportos. Os investimentos dos governos e empresas regionais deverão aumentar esse valor para 400 bilhões de iuanes, disse o Conselho de Estado.
Os preços das compras governamentais de grãos e dos subsídios aos produtores serão elevados, juntamente com as dotações de auxílio para famílias urbanas de baixa renda. O governo também aboliu as cotas sobre os empréstimos, que limitavam a concessão de crédito por parte dos bancos, para ajudar as pequenas empresas.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 12)(Bloomberg News)