Título: Pré-sal pode mudar foco da Vale
Autor: Lorenzi,Sabrina
Fonte: Gazeta Mercantil, 11/11/2008, Empresas, p. C1

Salvador, 11 de Novembro de 2008 - O governo federal estuda expandir a indústria siderúrgica e reduzir as exportações de minério de ferro da Vale para explorar as reservas do pré-sal. Serão necessários cinco mil quilômetros de tubos de aço especiais para a perfuração de poços na região do cluster de Tupi, revelou o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, um dos integrantes da comissão criada para discutir o tema.

"É aço suficiente para suspender as exportações de minério de ferro da Vale e começar a construir siderúrgicas capacitadas para a fabricação desse tipo de aço especial", revelou Lima. O especialista sugere que a região de Tupi precisará de investimentos da ordem de US$ 400 bilhões, aproximadamente o montante estimado por bancos de investimentos em análises recentes.

A comissão interministerial deve mostrar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de dezembro, que o desenvolvimento das jazidas do pré-sal com investimentos na indústria local vão demandar tempo. A orientação do Planalto é estimular a cadeia de fornecedores do petróleo, mas há gargalos que impedem a tarefa.Não há capacidade instalada na indústria siderúrgica disponível para tantas encomendas. Se o governo quiser desenvolver fornecedores locais, com geração de emprego e renda no País, vai ter que esperar, segundo o relatório que será entregue ao presidente da República."Não temos pressa. É melhor ir com calma e desenvolver o País do que correr e ter de importar tudo", afirmou Lima, durante apresentação da 10ª Rodada de Licitações da ANP para empresários da Bahia, em Salvador.

A afirmação vai contra o que querem as empresas do setor. As petroleiras têm declarado que o governo federal deveria agilizar os estudos para explorar o petróleo do pré-sal.

Lima ressaltou que a parte do pré-sal que já foi licitada às empresas, da ordem de 42% da área do cluster de Santos, será explorada dentro dos prazos.

As discussões que pretendem desenvolver o pré-sal em ritmo de espera da siderurgia local envolvem 58% da área, além das outras regiões que podem possuir petróleo abaixo da camada de sal e ainda estão sob domínio da União.

80 bilhões de barris

Na última sexta-feira passada, Lima afirmou que o cluster de Tupi pode conter reservas da ordem de 80 bilhões de barris. Considerando que o custo de desenvolvimento estimado é de US$ 400 bilhões, portanto, o custo exploratório, sem considerar outros gastos, ainda está bem abaixo do preço do barril de petróleo, abaixo de US$ 70.

Lima apresentou ontem a 10ª Rodada de Licitação de áreas de Petróleo para empresas da Bahia, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). A rodada vai oferecer apenas blocos terrestres, em sete bacias - Sergipe, Alagoas, Amazonas, Paraná, Potiguar, Parecis, Recôncavo e São Francisco. Na bacia do Recôncavo Baiano serão oferecidos 21 blocos, em municípios como Amália Rodrigues, Camaçari, Candeias, Dias D´vila, Mata de São João, Santo Amaro, São Francisco do Conde, Teodoro Sampaio e Terra Nova.(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 1)(Sabrina Lorenzi - A repórter viajou a convite da ANP)