Título: Petrobras tem lucro recorde de US$ 10,8 bi
Autor: Monteiro,Ricardo Rego
Fonte: Gazeta Mercantil, 12/11/2008, Nacional, p. A5
Rio de Janeiro, 12 de Novembro de 2008 - A combinação de desvalorização do real com o aumento da produção e das receitas com as vendas de petróleo e gás natural levou a Petrobras a alcançar lucro líquido recorde de R$ 10,8 bilhões no terceiro trimestre de 2008. O resultado, 96% superior ao do terceiro trimestre do ano passado, foi obtido mesmo com o agravamento da crise financeira global em setembro.
Os números do terceiro trimestre contribuíram para a empresa conseguir um desempenho recorde também no acumulado do ano. Nos nove primeiros meses de 2008, o resultado foi de R$ 26,5 bilhões, 61% maior que o do mesmo período do ano passado.
Apesar da crise global, que já começa a afetar os preços internacionais do petróleo, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, prevê boas perspectivas para a empresa, que deverá aumentar a produção em 460 mil barris diários entre novembro e janeiro de 2009. Mesmo assim, o executivo assegurou que a companhia não vai promover qualquer alteração no cronograma de produção dos campos do pré-sal, como Tupi e Guará. A expectativa é de iniciar a produção em Tupi até o fim de 2010, por meio de um projeto-piloto.
"O que pode haver é uma revisão de portfólio (de projetos) para privilegiar projetos que dêem retorno mais rápido", revelou Barbassa, ao acrescentar que a companhia deverá investir menos na exploração de novos campos. "Obviamente, nós vamos privilegiar (o aumento) a geração de caixa", acrescentou.
Com relação aos números do terceiro trimestre, o diretor financeiro justificou o desempenho histórico ao lembrar que a valorização do dólar frente ao real no período pesou sobre o endividamento da empresa, mas aumentou a receita da companhia na moeda americana. No terceiro trimestre, a empresa foi beneficiada com impacto positivo de R$ 3,45 bilhões do câmbio. Barbassa lembrou que, já nos nove primeiros meses do ano, o impacto se limitou a R$ 641 milhões.
"A Petrobras funciona como uma empresa exportadora", justificou. "O preço do petróleo caiu, mas a valorização do dólar compensou. Portanto, não devemos ter impacto muito grande sobre a receita operacional líquida no fim do ano", afirmou.
O executivo fez questão de esclarecer, no entanto, que o desempenho favorável da companhia se deveu também ao aumento da receita com as vendas de produtos. A partir dos reajustes no mercado brasileiro de 10% e 15%, respectivamente, nos preços da gasolina e do óleo diesel em maio deste ano, a companhia conseguiu um preço médio de realização dos derivados de 14% (36% em dólar), de US$ 104,62, ante os US$ 76,94 do mesmo período de 2007.
Outro fator citado por Barbassa como fundamental para o desempenho da companhia foi o aumento da produção. Nesse período, a produção doméstica de petróleo e gás natural aumentou 5% em comparação com o mesmo período de 2007. Incluindo a produção do exterior, o aumento foi de 4% no acumulado da produção. Entre julho e setembro, a extração de petróleo e gás natural teve um crescimento de 6% frente ao terceiro trimestre de 2007. O desempenho tornou-se possível com a entrada em produção das plataformas Cidade do Rio de Janeiro, no campo de Espadarte, na Bacia de Campos, Cidade de Vitória (Golfinho, na Bacia do Espírito Santo), P-52 e P-54, em Roncador (Bacia de Campos).
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 5)(Ricardo Rego Monteiro)