Título: Cartões de crédito ignoram crise e crescem com força
Autor: Carvalho, Jiane
Fonte: Gazeta Mercantil, 12/11/2008, Finanças, p. B3

São Paulo, 12 de Novembro de 2008 - O setor de cartão de crédito no Brasil vem mantendo o forte ritmo de crescimento ao longo do ano, sem qualquer reflexo da crise global de liquidez com impacto no crédito doméstico. Segundo dados da Itaucard, a área de cartões do banco Itaú, em outubro o faturamento desta indústria aumentou 21,3%, comparado ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 19,8 bilhões. Para novembro, esse faturamento deve chegar a R$ 20,3 bilhões, um avanço de 21,9% na mesma base de comparação. O estudo "Crescimento em tempos de crise", realizado pela Itaucard, revela que a crise, ao menos por enquanto, não promoveu qualquer mudança no comportamento do portador de cartão de crédito.

"As compras com cartão, além de terem mantido as mesmas taxas de crescimento, mostram um comportamento por parte do consumidor sem qualquer alteração, quando olhamos os gastos por segmento", comenta Fernando Chacon, diretor de marketing do banco Itaú. Em outubro deste ano, por exemplo, 20,5% dos gastos com cartões de crédito foram feitos em vestuário, praticamente o mesmo registrado em 2007, de 20,8%. Os gastos com lazer, que poderiam ter caído em virtude das incertezas, foi de 1,5% no mês passado, o mesmo que em igual período de 2007.

"O brasileiro está habituado a utilizar o cartão de crédito e, em um ambiente de crise, o plástico se mostra um meio eficiente de acesso ao crédito por parte do consumidor", diz Chacon. "É uma forma de conseguir manter seu padrão de consumo."

Outro fator que estimula o uso dos cartões é o crescimento do número de locais que aceitam o produto. Enquanto em 1998 apenas 300 mil pontos aceitavam os plásticos, com a maioria deles localizados nos grandes centros, ao final do terceiro trimestre de 2008 já eram 1,4 milhão de locais onde os cartões são aceitos. A expansão se deu tanto em número de estabelecimentos, quanto na direção do interior do País e para a periferias de grandes centros urbanos.

Dados divulgados pela Itaucard, comparando os mercados brasileiro e norte-americano, mostram que ainda há muito espaço para crescer. O índice de possuidores de cartões na população economicamente ativa (PEA) atingiu 1,2 plástico/pessoa em 2007 no Brasil. Já nos Estados Unidos, lembra Chacon, a relação cartões/PEA era de 4,2 de plásticos por pessoa em 2006.

Novo cenário

Embora otimista, Chacon alerta que o cenário para 2009 inspira cuidado. O que pode impactar no crescimento do setor, diz o diretor de marketing do Itaú, é a queda nas taxas de emprego e alta da inflação. "Em nossas projeções, o primeiro e o segundo trimestres do ano que vem podem mostrar um aumento do desemprego e pressões nos preços por conta do dólar mais alto", comenta. "Ainda não temos números, mas é possível uma desaceleração nas taxas de crescimento do setor de cartões de crédito, mesmo assim o setor deve crescer na casa de dois dígitos."

Ao final deste ano, o volume de transações com cartões de crédito atingirá 2,8 bilhões de operações - ou seja, o dobro do número esperado de cheques compensados no ano. Em fatura-mento, o setor deve fechar 2008 tendo movimentado R$ 223,7 bilhões, expansão de 22,1% sobre 2007. Em número de cartões, serão 110,2 milhões de plásticos. Só o Itaú Unibanco, após a fusão, tem 33% desse mercado, ou 36,3 milhões de unidades. Em faturamento, a associação tem 36% do mercado, ou R$ 80,53 bilhões movimentados este ano. O processo de integração das bases ainda não está definido. "Vamos aguardar a aprovação dos órgão reguladores e depois definir uma estratégia conjunta", diz.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Jiane Carvalho)