Título: Eleita, Kátia Abreu abre fogo contra o governo
Autor: Aliski,Ayr
Fonte: Gazeta Mercantil, 13/11/2008, Agronegócio, p. B12
Brasília, 13 de Novembro de 2008 - A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), eleita presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para o período entre 2008 e 2011, mostrou, em sua primeira entrevista coletiva, que está disposta a pressionar o governo para que os efeitos da crise financeira mundial não causem transtornos graves ao setor que passa a representar. Para ela, as dificuldades que surgem e que já começam a se agravar terão de ser resolvidas pelo governo federal, via Banco do Brasil. O crédito, na sua opinião, deve ser o principal instrumento para reduzir o impacto da crise.
"A falta de crédito só pode ser suprida com mais crédito", afirmou, referindo-se ao sumiço do crédito internacional. "O governo vai ter de dar um jeito. Não basta só anunciar o dinheiro", acrescentou. A senadora apontou como causa da escassez de recursos o retraimento das tradings, que deixaram de financiar lavouras, especialmente as do Centro-Oeste (veja matéria abaixo).
Segundo a presidente eleita da CNA, o crédito oficial disponível entre julho e setembro deste ano chega a R$ 55 bilhões, frente R$ 49 bilhões em igual período do ano passado. Esse aumento deve-se, principalmente, à antecipação de R$ 5 bilhões do crédito oficial que seriam liberados somente em 2009 e ficou disponível este ano.
Apesar do aumento potencial do crédito, as liberações não estão ocorrendo, denunciou Katia Abreu. Ficaram em cerca de R$ 13,5 bilhões. "É o mesmo montante liberado no mesmo período do ano passado", declarou. "Se houve aumento potencial de crédito, deve haver também o de repasses".
A senadora lembrou o aumento médio de 30% nos custos de produção desde o ano passado. "Um produtor de soja que recebeu R$ 300 mil deveria receber agora R$ 390 mil", afirmou. Mas a situação dos produtores no momento de pedir crédito não é confortável. Segundo dados do Banco do Brasil apresentados pela nova presidente da CNA, em julho deste ano 14,5% das operações de crédito rural estavam enquadradas nas piores faixas de risco do crédito bancário (faixas D a H, ou seja, com pagamentos em atraso de dois meses ou mais). Em 2003, somente 3% do crédito rural era classificado como de alto risco.
Quem está com má classificação não consegue novos empréstimos, o que ocorreu com produtores que renegociaram recentemente as dívidas. A CNA defende a implantação de norma do Banco Central que estabelece aos bancos a opção de desconsiderar a recente renegociação, melhorando a classificação de risco do cliente, que assim poderia voltar a pedir novos empréstimos.
Projetos
Primeira mulher a dirigir a CNA, a senadora Kátia Abreu afirma ter três projetos prioritários para a instituição: um programa de inclusão digital; a implantação de um plano de previdência privada específico para o setor rural e o projeto Empreendedor Rural, para a qualificação do produtor quanto ao controle de custos. "A CNA quer ser uma grande construtora de pontes entre o que os produtores não têm e o que poderão ter", disse.
O programa de inclusão digital prevê a informatização dos sindicatos rurais e o treinamento dos produtores para o uso da internet, assim como a utilização de ônibus adaptados para o treinamento dos produtores. Kátia Abreu quer também firmar parceria com fabricantes de computadores portáteis e com o Banco do Brasil.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Ayr Aliski)