Título: Brasil quer ampliar a corrente de comércio bilateral com Itália
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Fonte: Gazeta Mercantil, 10/11/2008, Nacional, p. A6

Roma, 10 de Novembro de 2008 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ontem a Roma, por volta das 12h30 (9h30 no horário de Brasília). Ele está na Itália para uma visita de cinco dias, que termina na próxima quinta-feira com uma visita ao papa Bento XVI. Lula está acompanhado de seis ministros e cumprirá uma série de compromissos oficiais com autoridades italianas e da Santa Sé.

A expectativa é que o presidente defenda na Itália a adoção de ações integradas dos países para conter os efeitos da crise financeira mundial. Lula tem defendido o papel do Estado como regulador de relações econômicas, em contraposição à prevalência das leis de mercado, como único parâmetro para a economia mundial.

Hoje, Lula será recebido pelo presidente da Itália, Giorgio Napolitano, e também se reunirá com o presidente da Câmara dos Deputados do país, Gianfranco Fini. Amanhã, o presidente se encontrará com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi. Seu último compromisso será o encontro com o papa.

Ele também se encontrará com dirigentes sindicais e com um grupo de empresários ao qual apresentará oportunidades de investimento no Brasil oferecidas pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

A visita de Lula tem o objetivo de aquecer ainda mais a relação comercial entre Brasil e Itália. Dados do governo brasileiro indicam que as exportações brasileiras para a Itália alcançaram mais de US$ 3,3 bilhões no primeiro semestre deste ano, o que representou um aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado. O Brasil apresentou saldo na balança comercial favorável. O País importou da Itália US$ 3 bilhões no mesmo período.

Acordos deverão ser assinados, nesta semana, com o governo italiano, nas áreas de defesa, infra-estrutura, tecnologias espaciais, ciências médicas, saúde, além de um acordo para permitir que dependentes de funcionários do corpo diplomático possam trabalhar na Itália.

Os investimentos em infra-estrutura serão apresentados como cartão de visita do Brasil na Itália e na reunião do G-20, que ocorre no próximo sábado em Washington (EUA). De acordo com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que integra a comitiva do presidente Lula na viagem a Roma, a política de expansão adotada no Brasil deve servir de modelo para sair da crise, tanto para países emergentes quanto para nações desenvolvidas.

Dilma ressaltou que parte da solução da crise está nas mãos dos países emergentes. "Os países emergentes serão necessariamente solução de parte dessa crise. Os Estados Unidos estão investindo em energia elétrica, até porque eles tiveram sucessivos apagões. Isso é política de expansão, não de contração."

Para a ministra, a grande diferença da atual crise financeira é que os países mais pobres não apresentam sinais de fragilidade econômica. "No passado, os países emergentes quebravam. Quando a crise ocorria, se transformava primeiro em uma crise financeira e depois em uma crise fiscal e nesse estágio os governos se tornavam impotentes pois não podiam tomar medidas expansionistas."

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(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 6)(Agência Brasil)