Título: Cargos são moeda de troca em disputas
Autor: Falcão,Márcio
Fonte: Gazeta Mercantil, 10/11/2008, Política, p. A10
Brasília, 10 de Novembro de 2008 - De olho em um lugar de destaque na Mesa Diretora da Câmara a partir de fevereiro de 2009, partidos que têm poucas chances de conquistar o posto, mas agregam uma parcela significativa de votos - como o bloquinho (PSB, PDT, PCdoB, PRB e PMN) -, articulam com todos os lados, mas relutam em fechar um acordo. Esperam a melhor oferta de cargos para decidir entre a campanha do peemedebista Michel Temer (SP) e a do progressista Ciro Nogueira (PI).
O apetite dos partidos promete embolar ainda mais as negociações. A situação mais delicada é a de Temer, que busca a adesão fechada dos partidos. O problema começa logo com o PT, que sustenta um acordo de alternância de poder com o PMDB, fechado em 2007, para viabilizar a conquista de Temer. Segunda maior bancada da Câmara, os petistas querem os principais cargos, entre eles a primeira vice-presidência e a primeira-secretaria. Ocorre que o cargo de primeiro vice-presidente foi ofertado aos tucanos, que contam com 59 deputados.
Para a vice-presidência, o PSDB quer emplacar o ex-ministro Paulo Renato (SP), afilhado e voz política no Congresso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso -, enquanto o PT defende Luiz Sérgio (RJ), ex-líder da bancada. "O nosso entendimento é que o PT terá dois cargos na Mesa", reconhece o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE). O líder do PSDB, José Aníbal (SP), diz que não abre mão da cadeira. "Queremos o segundo cargo de destaque", pondera o deputado tucano.
Reivindicações
Michel Temer terá ainda que acalmar os ânimos dos líderes do bloquinho e do PR. PSB, PDT, PCdoB, PRB e PMN, que reúnem 77 votos, querem a segunda vice-presidência ou a segunda-secretaria. O PR, com 44 parlamentares, quer a manutenção da segunda vice-presidência. Além do cargo, o bloquinho reivindica um remanejamento na escolha das relatorias, que na atual legislatura ficou polarizada entre PT e PMDB. Argumentam que como formam a terceira maior bancada devem participar de um rodízio na escalação dos relatores.
O pedido incomodou parte dos 95 peemedebistas e pode ter impacto entre os petistas que teriam que abrir mão de relatar propostas. O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), ficou de conversar com representantes do bloquinho em um almoço na próxima semana. "O que dá certo na Câmara é critério. Não é justa esta concentração de poder", disse o líder do PSB, Márcio França (SP).
Com a pressão dos partidos em torno de Temer, o deputado Ciro Nogueira (PP-PI) é quem pretende lucrar. Garante que até dezembro vai manter a estratégia de buscar votos individualmente e só depois de definida o posicionamento do PMDB no Senado, se lançará candidato ou apoiará o senador Tião Viana (PT-AC), é que vai investir na busca de apoio de partidos. Como a votação é secreta, Nogueira diz que o fiel da balança será o contato pessoal com cada deputado. "Neste ponto eu levo vantagem. Conheço todos os deputados e trabalho há dois anos na Casa discutindo os problemas do Legislativo", declarou o progressista.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 10)(Márcio Falcão)