Título: Furnas compra fatia da Gallway em usina hidrelétrica de Goiás
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 20/11/2008, Infra-Estrutura, p. C8
Rio de Janeiro e São Paulo, 20 de Novembro de 2008 - O presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, afirmou que Furnas está comprando a participação da empresa de energia Gallway na usina hidrelétrica Serra do Facão, em Goiás, para viabilizar a construção da obra que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A inadimplência da Gallway com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em outros projetos, de acordo com Muniz Lopes, estaria dificultando a liberação do empréstimo no valor de R$ 540 milhões.
Com capacidade para gerar 212 megawatts, a usina Serra do Facão teve sua construção iniciada em março de 2007 e está prevista para ser concluída em janeiro de 2011, segundo informações disponíveis no site da Gallway. Todas as licenças ambientais para a construção do projeto, situado entre os municípios de Catalão e Davinópolis (ambos no estado de Goiás), já foram liberadas, de acordo com a empresa, que é controlada por uma companhia sediada na Holanda. O investimento total na hidrelétrica é de cerca de R$ 770 milhões
"Furnas comprou a participação da Gallway na SPE (Sociedade de Propósito Específico que pediu o empréstimo) e na usina de Serra do Facão", limitou-se a dizer Muniz a jornalistas em um congresso de energia realizado ontem no Rio de Janeiro.
Sem dar detalhes, o presidente da Eletrobrás disse que o pedido ao BNDES será reformulado, devido à mudança societária, mas não deixou claro se o valor também seria revisto.
"Estamos em entendimento bem avançado para o novo pedido", afirmou Muniz Lopes, prevendo para dezembro a entrega da nova demanda ao banco.
Segundo o executivo, a Gallway detinha participação de 25,1% na usina Serra do Facão e 50,1% na Sociedade de Propósito Específico (SPE), criada para obter financiamento do BNDES.
Verba do Banco Mundial
O executivo disse ainda que está pleiteando junto ao Banco Mundial (Bird) um empréstimo de US$ 550 milhões para a reestuturação das distribuidoras de energia federalizadas que passaram a integrar o balanço da Eletrobrás no terceiro trimestre, todas com prejuízo. Até o momento, a empresa disse ter recebido apenas US$ 380 mil desse empréstimo do Bird.
Fluxo de caixa garantido
Muniz Lopes afirmou ainda que a crise não vai alterar os projetos da Eletrobrás e que até janeiro a companhia deverá divulgar o seu plano decenal. "Estamos com fluxo de caixa garantido e nossos projetos para 2009 e 2010 estão garantidos", declarou.
Entre os possíveis projetos estarão as usinas do Complexo Hidrelétrico de Tapajós, no Pará, que deverá ir a leilão em 2010. Ao todo são cinco usinas com capacidade para 10.600 megawatts, sendo as principais unidades as de São Luiz do Tapajós, com 6 mil megawatts, e de Jatobá, com 1.800 megawatts. "O inventário sobre esse complexo já foi entregue à Aneel, fechamos uma parceria com o Ibama para que a licença seja dada para as cinco usinas ao mesmo tempo, como foi feito no Madeira", disse Muniz
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Reuters e Redação)