Título: Fed quer injetar mais US$ 800 bi na economia
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Fonte: Gazeta Mercantil, 26/11/2008, Finanças, p. B3

Washington, 26 de Novembro de 2008 - O Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos) deu dois novos passos para descongelar o crédito para imóveis residenciais, consumidores e pequenas empresas, comprometendo até US$ 800 bilhões. A autoridade monetária norte-americana vai comprar até US$ 600 bilhões em títulos emitidos ou garantidos pelas empresas de financiamento de imóveis residenciais credenciadas pelo governo. Também vai criar um programa de US$ 200 bilhões para apoiar empréstimos a consumidores e pequenas empresas, conforme comunicado divulgado ontem.

O Fed começará a usar algumas das ferramentas não-ortodoxas de política delineadas por seu presidente, Ben Bernanke, há seis anos, quando ele era um dos diretores regionais da instituição. O objetivo é evitar o colapso financeiro e pôr fim à ameaça de deflação.

O Fed "está tentando injetar recursos no sistema, tentando descongelar esses mercados", disse William Poole, ex-diretor do Fed de Saint Louis, em uma entrevista à TV Bloomberg. "Sem dúvida, o Fed e o Tesouro estão começando a assumir uma grande quantidade de risco de crédito."

O Fed comprará até US$ 100 bilhões em dívida direta da Fannie Mae, da Freddie Mac e do Federal Home Loan Banks e até US$ 500 bilhões de títulos vinculados a financiamento imobiliário e garantidos pela Fannie, pela Freddie e pela Ginnie Mae, segundo comunicado do BC.

Crédito Imobiliário

"Esta iniciativa está sendo tomada para reduzir os custos e aumentar a disponibilidade de crédito para a compra da casa própria, o que, por sua vez, deve sustentar os mercados imobiliários e a melhoria de condições nos mercados financeiros, de uma forma mais geral."

"Quanto mais barato eles conseguirem emitir títulos, mais condições eles terão de comprar contratos de crédito imobiliário agressivamente no mercado secundário", disse Alan Bosworth, diretor de operações de agências na Vining Sparks em Memphis.Paralelamente, de acordo com o Programa de Empréstimos a Termo a Títulos Garantidos por Ativo (ABS, pelas iniciais em inglês), o Fed vai conceder até US$ 200 bilhões em empréstimos não-recorríveis para os papéis vinculados a ativos com classificação AAA e garantidos por empréstimos "de origem recente", como para educação, automóveis, cartões de crédito e empréstimos garantidos pela Small Business Administration, órgão de assistência às pequenas empresas do governo norte-americano.

O BC vai começar a comprar a dívida direta de empresas credenciadas pelo governo -Fannie, Freddie e 12 bancos federais de empréstimos para a aquisição da casa própria - basicamente por operadores em dívida do governo, a partir da semana que vem. As compras de títulos vinculados a financiamentos imobiliários serão feitas por gestores de ativos, e as autoridades querem iniciar esse esforço até o fim do ano.

A expectativa é que as compras dos dois tipos de dívida "aconteçam durante vários trimestres", disse o Fed.

O secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, afirmou a economia estaria numa situação bem pior se o Congresso não tivesse aprovado o programa de socorro de US$ 700 bilhões.

Ele pediu, no entanto, paciência na espera pelos resultados do esforço de capitalização de bancos e descongelamento dos mercados de crédito. "É ingênuo de qualquer um de nós pensar que, quando você está lidando com uma situação dessa magnitude, uma lei ou uma única ação pode resolver tudo", disse.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Bloomberg News e Reuters)