Título: Bernanke dá sinais de mudança na condução dos rumos do Fed
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Fonte: Gazeta Mercantil, 03/12/2008, Finanças, p. B2
Washington e Nova York, 3 de Dezembro de 2008 - O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Ben S. Bernanke, indicou que está disposto a tirar do fundo da caixa de ferramentas do banco central mais um instrumento, depois de ter reduzido as taxas de juros quase o máximo possível, o que abre a porta para uma mudança na política monetária neste mês.
Bernanke disse na segunda-feira que pode adotar políticas menos convencionais, como a compra de títulos do Tesouro, para revitalizar a economia dos EUA, já que o seu espaço para reduzir a taxa básica de juros, atualmente no nível de 1%, é "obviamente limitado". Mesmo assim, o corte nos juros é, "sem dúvida, viável", acrescentou ele.
Os responsáveis pela política econômica do Fed podem decidir na sua próxima reunião, marcada para 15 e 16 de dezembro, os detalhes de realizar essa mudança, que poderá parecer com a estratégia de "alívio quantitativo", adotada pelo Bank of Japan (BoJ, o BC japonês) em 2001-2006, depois de reduzir as taxas de juros a quase zero. A disposição do presidente do Fed de apostar mais em aumentar as reservas do sistema bancário levou o economista Michael Feroli, do JPMorgan Chase, a se referir a ele como "Bernanke-san" em uma nota distribuída na segunda-feira.
"Isto prepara o palco para o Federal Reserve ser mais formal na adoção do alívio quantitativo", disse Vincent Reinhart, diretor do Fed para assuntos monetários até o ano passado e atualmente acadêmico do American Enterprise Institute, em Washington.
O BoJ é o único grande banco central dos tempos modernos que adota o alívio quantitativo - uma estratégia de injetar mais reservas no sistema bancário do que o necessário para manter a meta da taxa de juros em zero.
Algumas iniciativas tomadas até agora por Bernanke levaram alguns diretores do Fed e economistas a dizerem que o banco central, na verdade, já está adotando esta política de forte expansão monetária. Com uma série de programas de empréstimos de emergência com o objetivo de aliviar a pior crise de crédito em sete décadas, Bernanke já expandiu o balanço patrimonial para US$ 2,11 trilhões até a semana passada, mais que o dobro do nível do ano anterior.
Feroli, ex-economista do Fed, deu ao seu relatório de pesquisa o seguinte título: "Bernanke-san vai mais fundo no caminho do alívio quantitativo." O presidente do BoJ, Masaaki Shirakawa, disse em maio que se, por um lado, essa estratégia "é muito efetiva na estabilização dos mercados financeiros", por outro ela tem "impacto limitado" em corrigir a estagnação econômica do Japão, porque os bancos não emprestam e as empresas não tomam emprestado.
Bernanke não usou a expressão alívio quantitativo, ao falar na Câmara do Comércio de Austin, Texas. Se ele realmente adotar oficialmente essa abordagem, vai ser preciso mudar a forma como o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) conduz seu trabalho, disse Reinhart.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Bloomberg News)