Título: Brasil descarta crédito de carbono para proteção
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 05/12/2008, Brasil, p. A7

POZNAN, Polônia, 5 de Dezembro de 2008 - O Brasil descartou ontem a possibilidade de deixar os países ricos compensarem suas emissões de gases do efeito estufa com contribuições financeiras para a proteção da Floresta Amazônica, uma idéia que vem sendo discutida ativamente na União Européia. Povos indígenas que compareceram à conferência de clima da Organização das Nações Unidas (ONU) em Poznan, Polônia, protestaram que não tinham chance de ver esse dinheiro do crédito de carbono e pediram verba para, primeiro, acabar com a corrupção e para a demarcação de terras. "O Brasil sempre foi contra a compensação na área florestal", disse Sérgio Serra, embaixador brasileiro para mudança climática.

O País é contra a compensação financeira para proteger a floresta, informaram autoridades brasileiras, explicando que tal medida absolveria os países ricos de cortarem suas próprias emissões.

A posição brasileira jogou um balde de água fria nas esperanças da maioria dos outros países que abrigam florestas tropicais, que estão em busca de dinheiro para proteger as matas com um novo tratado sobre o clima. Analistas dizem que Indonésia, México e Índia são favoráveis a essa proposta. Em vez disso, o Brasil apóia a criação de um fundo público, baseado, por exemplo, na promessa da Noruega de doar US$ 1 bilhão este ano para o Fundo Amazônico, com o propósito de melhorar a conservação e a aplicação de leis contra o desmatamento.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Reuters)