Título: BC age e impede nova alta do dólar
Autor: Simone ; BernardinoSilva
Fonte: Gazeta Mercantil, 08/12/2008, Finanças, p. B2
8 de Dezembro de 2008 - Os novos sinais de fragilidade da economia norte-americana derrubaram os principais índices acionários e chegaram a manter o câmbio no maior nível desde abril de 2005. Mas o dólar comercial terminou a sexta-feira da semana passada em baixa de 1,67%, vendido a R$ 2,470, influenciado pela série de leilões do Banco Central (BC). Ainda assim, nos últimos quatro pregões, a moeda norte-americana avançou 6,51% sobre o real. No ano, a divisa acumula 39% de ganhos.
A autoridade monetária interveio com mão de ferro na sexta-feira e conseguiu trazer a taxa de câmbio de R$ 2,62, a cotação máxima do dia no momento em que subia 4,34%, para R$ 2,44 na mínima do dia. Foram cerca de US$ 1,326 bilhão em contratos de swap ofertados ao mercado e mais três leilões de linha no mercado à vista à taxas de R$ 2,5355, R$ 2,5480 e R$ 2,5850.
Desemprego nos EUA
Em destaque, a notícia de que a economia dos Estados Unidos eliminou 533 mil postos de trabalho em novembro, bem acima dos 325 mil vagas esperadas. Este é o maior nível de cortes desde 1974. A taxa de desemprego, por sua vez, subiu para 6,7% no período - maior alta registrada desde 1993. Segundo relatório da consultoria LCA, a gravidade da situação deverá reforçar as apostas de uma redução do juro anual do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de 1% para 0,5% na reunião do Fomc - espécie de Copom dos Estados Unidos - a ser realizada no dia 16. Já para o Banco Fator, o resultado do mercado de trabalho deve derrubar o juro para os simbólicos 0,25% ao ano. Foram 1,2 milhão de vagas fechadas só nos últimos três meses.
No mercado, a expectativa é de que a situação de desemprego se agrave ainda mais nos próximos meses. Na semana passada, a companhia de telecomunicação AT&T informou que irá cortar 12 mil empregos. Já o Bank of America poderá reduzir até 30 mil empregos como parte do processo da compra do Merrill Lynch.
Contribuíram para o sentimento negativo que fechou a semana passada, a indicação de que países emergentes como Índia, Rússia e China também estão em processo de desaceleração, assim como as economias desenvolvidas e o aumento recorde no número de atrasos em pagamentos de hipotecas do terceiro trimestre, conforme apontou a Mortgage Bankers Association (MBA).
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Simone e Silva Bernardino/ InvestNews)