Título: Compras pontuais levam dólar a R$ 2,50
Autor: Simone ; Bernardino,Silva
Fonte: Gazeta Mercantil, 09/12/2008, Finanças, p. B2
9 de Dezembro de 2008 - Após recuar na maior parte do dia, acompanhando o bom humor dos mercados externos, o dólar inverteu o rumo e fechou em alta de 1,21%, cotado a R$ 2,50 na venda. Segundo a diretora de câmbio da Corretora AGK, Miriam Tavares, o movimento de queda das commodities, as condições desfavoráveis para a economia mundial - com grandes possibilidades de colapso em empresas norte-americanas - e as perspectivas desanimadoras para o saldo do balanço de pagamento brasileiro em 2009, pressionaram o câmbio.
"Além dos fatores macroeconômicos, há muita especulação em torno da formação do preço do dólar. Os players estão puxando a taxa, com o objetivo de chamar o BC para a ponta de venda", comenta a executiva. Já no período da tarde, a autoridade monetária entrou no jogo e vendeu dólares a uma taxa média de US$ 2,4755.
Para Miriam, a cautela e a volatilidade tendem a permear no ambiente de negócios, enquanto não houver uma melhora consistente ou uma definição de onde caminha a economia. "Deve seguir este clima de especulação e o BC atuando para segurar as oscilações", avalia Miriam. Ao longo do dia, os planos do próximo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, envolvendo medidas agressivas de investimento em infra-estrutura e tecnologia, com o objetivo de gerar 2,5 milhões de empregos e o avanço nas negociações no Congresso dos EUA com as montadoras, renovaram o ânimo dos mercados mundiais.
"Uma ajuda imediata do governo norte-americano à indústria automobilística é fundamental para amenizar e, quem sabe até reverter, o clima de pessimismo no ambiente de negócios internacional e local", comenta a diretora da AGK. Boas notícias também vieram da Ásia, onde o governo indiano anunciou duas medidas de impacto: corte na taxa básica de juros e um pacote de US$ 4 bilhões para animar a economia doméstica, traumatizada com os recentes ataques terroristas.
Na BM&F, as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), que projetam a previsão para a Selic, fecharam o dia sinalizando queda. O DI de janeiro de 2010, o mais líquido, registrou taxa anual de 13,13%, ante 13,66% do ajuste de sexta-feira. O DI de janeiro de 2009 apontou taxa de 13,45%, frente aos 13,50% do último ajuste. Janeiro de 2011 apontou taxa anual de 13,53%, frente aos 13,66% do último fechamento.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Simone e Silva Bernardino e Maria de Lourdes Chagas/ InvestNews)