Título: Ingresso de recursos derruba dólar a R$2,34
Autor: Simone ; Bernardino ,Silva
Fonte: Gazeta Mercantil, 12/12/2008, Finanças, p. B2

12 de Dezembro de 2008 - A entrada de capital externo e os leilões do Banco Central (BC) irrigaram o mercado de dólares, derrubando a taxa para o nível de R$ 2,30. A moeda norte-americana chegou a recuar quase 6% na mínima do dia, próximo do limite de baixa, mas perdeu o ímpeto e terminou o pregão com desvalorização de 3,37%, vendida a R$ 2,348. Além de rolar mais US$ 1,2 bilhão em contratos de swap cambial que expiram no próximo dia 2 de janeiro, a autoridade monetária vendeu dólares direto no mercado à vista. A taxa média ficou em R$ 2,2850.

Para Júlio Cesar Vogeler, operador de câmbio da corretora Didier Levy, a volatilidade tende a continuar no curto prazo, enquanto não houver clareamento do cenário. "O dólar está sem rumo por aqui, seguindo, principalmente, as oscilações dos mercados externos de moedas", avalia. Lá fora, a divisa norte-americana perdia terreno frente a seus principais pares, após a divulgação de números ruins da economia norte-americana. Segundo Vogeler, há uma corrente grande de players estrangeiros se desfazendo de posições compradas no mercado futuro da BM&F, o que também ajuda a explicar essa acentuada queda do dólar.

Já nos mercados acionários, os investidores realizaram negócios com mais cautela, preocupados com a possível não aprovação no Senado dos EUA do pacote de ajuda a duas montadoras de Detroit - Chrysler e General Motors. Em Wall Street, os índices operaram quase estáveis. No Congresso, republicanos manifestaram objeções à ajuda, e mesmo entre os democratas, o plano não é uma unanimidade. Se rejeitado, o setor automobilístico pode entrar em colapso e provocar a demissão de até 2,5 milhões de funcionários.

Há tempos, o mercado de trabalho norte-americano vem demonstrando enfraquecimento. Só para ter uma idéia, na semana passada, o número de pedidos pelo auxílio-desemprego aumentou em 58 mil, passando a 578 mil - maior nível em 26 anos. Atualmente, o número de trabalhadores que recebem o seguro passou para 4,4 milhões, com a proporção elegível de pessoas subindo de 3,1% para 3,3%. "A situação preocupa porque sinaliza continuidade da deterioração do mercado de trabalho, por conseqüência, das perspectivas de consumo", comenta o departamento econômico do Banco Fator. "E é com esse foco que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama pretende elevar os investimentos e criar 2,5 milhões de vagas", finaliza o relatório.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Simone e Silva Bernardino/ InvestNews)