Título: José Aníbal foi vítima de grampo ilegal
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 08/01/2009, Brasil, p. A7
Brasília, 8 de Janeiro de 2009 - O líder do PSDB na Câmara, deputado federal José Aníbal (SP), foi informado ontem pela Polícia Civil de São Paulo que era alvo de uma quadrilha especializada em escutas telefônicas, que age no estado desde o ano passado.
O parlamentar disse que os policiais identificaram, pelo menos, duas gravações telefônicas nas quais havia troca de informações sobre seus dados pessoais e de familiares.
Indignado com a descoberta da polícia, José Aníbal disse que agora quer saber todos os detalhes das investigações e identificar os autores ou autor da ordem para que ele fosse alvo das escutas. "Quero saber quem mandou fazer a escuta, por que mandou e quais eram os objetivos dessa pessoa ou dessas pessoas", afirmou o deputado.
A este jornal, Aníbal não descartou também motivação política no seu rol de suspeitas. "A polícia interceptou o pedido de grampo, numa gravação de um membro da quadrilha, dias 6 e 7 de outubro. Logo depois das eleições", lembrou o deputado. "Por que grampeariam um líder do maior partido de oposição?"
Segundo Aníbal, sua surpresa foi descobrir que, em uma das gravações, havia registro inclusive do nome da mãe dele. " É impressionante a facilidade com que essas pessoas descobrem informações pessoais do titular do número de telefone", criticou o tucano.
Aníbal afirmou que o telefone grampeado era um aparelho celular utilizado por sua secretária em Brasília, responsável por fazer todas as chamadas telefônicas para ele. Segundo o parlamentar paulista, a secretária já desativou o aparelho e utiliza outro número.
O deputado disse ainda que não mudou sua conduta: continua falando ao celular e também nos aparelhos fixos. Porém, o parlamentar afirmou que vai insistir na identificação de todos os envolvidos no esquema de escuta telefônica.
RevelaçõesDe acordo com o deputado, ele foi procurado por delegados da Polícia Civil de São Paulo há um mês e meio, que informaram ter desbaratado a quadrilha, integrada por policiais e funcionários de bancos e até de operadoras de crédito. O bando praticava extorsão e vendia informações confidenciais.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, funcionários de uma operadora de telefonia celular quebravam o sigilo telefônico de clientes, sem autorização judicial. Os policiais civis fecharam o cerco a 21 pessoas da quadrilha, mas o Ministério Público autorizou a prisão de apenas dez envolvidos.
Ainda de acordo com a Polícia Civil de São Paulo, mais de 100 pessoas foram vítimas da quadrilha, com o sigilo telefônico quebrado, nos últimos doze meses.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Redação - Com agências)