Título: Pesquisa do BC prevê em outubro um novo aumento para a Selic
Autor: Simone Cavalcanti e Silvia Araújo
Fonte: Gazeta Mercantil, 21/09/2004, Finanças & Mercados, p. B-1
Os profissionais do mercado financeiro - diante dos sinais emitidos pela decisão do Copom da semana passada - já estão projetando nova alta na taxa básica de juros. Prevêem uma elevação de 0,25 ponto percentual para outubro, o que levaria a Selic a 16,50%; além disso, já imaginam que, no fim do ano, a Selic chegará a 17%, com um aumento em novembro ou dezembro. As informações constam do Relatório de Mercado, uma pesquisa semanal com instituições financeiras elaborada pelo Banco Central e divulgada toda segunda-feira.
A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano manteve-se estável em 7,37%. No entanto, a perspectiva para este mesmo índice nos próximos 12 meses continua subindo, passando agora de 6,19% para 6,25%. Também mantido fica o Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC) em 6,59% no ano e em 5,72% para 12 meses.
Já as projeções para os índices que também refletem os preços no atacado continuam em alta. O Índice Geral de Preços -Disponibilidade Interna (IGP-DI) sobe de 12,23% para 12,37% e o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), de 12,47% para 12,90%. Para os próximos 12 meses, o IGP-M passa de 7,48% para 7,55%, mas o IGP-DI apresenta leve queda de 7,08% para 7,05%.
As projeções de alta também se referem ao ano-calendário de 2005. O IPCA sobe de 5,70% para 5,80%, o IGP-DI passa de 6,50% para 6,58% e o IPC-Fipe, de 5,20% para 5,30%. O único índice que apresentou estabilidade foi o IGP-M (6,50%). A expectativa para os preços administrados subiu de 6,75% para 7%.
Quando a outros indicadores da economia, as previsões dos analistas do mercado financeiro são positivas. A cada semana estão sendo refeitas as projeções para o crescimento do PIB este ano: meses atrás, esperava-se 3%; na semana anterior, os cálculos apontavam para um avanço de 4,31% e agora, 4,36%. Assim, para este ano, não haverá impacto da alta da Selic, cujos reflexos, seja para cima ou para baixo, são sentidos na economia após um período de aproximadamente seis meses.
Para o próximo ano, as projeções dos analistas indicam a expectativa de que a taxa Selic chegue a 15% ao ano, sem mudanças de expectativas. Levando-se em conta o hiato entre tomada de decisão e seus reflexos, os mesmos preferiram refrear um pouco suas expectativas para o PIB de 2005, reduzindo-o de 3,6% para 3,5%.