Título: Reservas crescem apesar de ação do BC
Autor: Aliski,Ayr
Fonte: Gazeta Mercantil, 19/12/2008, Finanças, p. B1
SBrasília, 19 de Dezembro de 2008 - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que o Brasil gastou US$ 9,8 bilhões das reservas internacionais para conter a alta do dólar desde o início da crise financeira global, mas que isso não é problema. As perdas já foram repostas e o estoque das reservas não pára de crescer, atingindo US$ 209,2 bilhões, segundo as últimas posições do BC. No final de outubro, auge da turbulência financeira, as reservas somavam US$ 201,3 bilhões.
Meirelles explicou que o aumento do estoque de reservas deve-se à remuneração das aplicações feitas com os dólares brasileiros no Exterior. Os títulos do Tesouro norte-americano estão se valorizando e isso se reflete nas reservas do BC. Meirelles destacou a importância das ações adotadas no Brasil para conter os efeitos da crise ao lembrar que "a destruição de riqueza" nas bolsas de valores de todo o mundo equivale a US$ 31 trilhões, e que até agora os efeitos negativos no Brasil foram mínimos frente os prejuízos ao redor do mundo.
"A perda do setor bancário está sendo crescente e se aproxima de US$ 1 trilhão", destacou Meirelles, lembrando que o rombo pode chegar a US$ 1,4 trilhão. Para evitar maiores prejuízos para suas economias, governos dos países mais ricos já colocaram US$ 595 bilhões para recuperar bancos. No Brasil, destacou, não foi necessário realizar operação de socorro aos bancos brasileiros, pois o sistema financeiro nacional não estava exposto a ativos de risco. Mas foi preciso estabelecer medidas de gerenciamento de liquidez, uma vez que o crédito internacional estancou. Meirelles citou também a importância da redução da dívida cambial pública como fator que manteve a confiança no País no momento de maior turbulência. Em maio de 2003, 62,3% da dívida era vinculada ao câmbio e hoje está zerada.
A contenção internacional de crédito chegou a cerca de US$ 20 trilhões, indica o BC. Por isso, frente à falta de crédito no mercado internacional, a alternativa foi buscar soluções internas para resolver a escassez de moeda estrangeira. Isso significa que, além das vendas diretas de dólares, o BC realizou, desde o início da crise, intervenções que somam US$ 43,6 bilhões no mercado de moeda estrangeira. Um total de US$ 28,9 bilhões foi usado em operações de swap cambial (que funciona como uma injeção temporária de dólares), US$ 1,5 bilhão em swaps reversos não rolados (ou seja, o BC deixou de receber dólares para o seu caixa, o que iria enxugar ainda mais a liquidez), US$ 10,8 bilhões na venda com obrigação de recompra, e US$ 2,4 bilhões em empréstimos para linhas de comércio exterior.
As informações foram apresentadas no Senado, onde Meirelles participou de audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Para garantir a liquidez no mercado interno, em moeda nacional, Meirelles destacou medidas de redução dos depósitos compulsórios, em um total de R$ 98 bilhões até 15 de dezembro. Ele mencionou, ainda, a importância da medida aprovada na quarta-feira pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a qual permitiu que créditos tributários sejam contabilizados como integrantes do patrimônio dos bancos. "Isso vai gerar possibilidade adicional de crédito de R$ 120 bilhões", disse. O total de elevação do crédito pode chegar a R$ 130 bilhões, considerando medidas que permitem o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) apoiar bancos pequenos.
Ver também página B2(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(Ayr Aliski)