Título: Amorim não vê problemas com Lugo
Autor: Filho,José Pacheco Maia
Fonte: Gazeta Mercantil, 17/12/2008, Internacional, p. A16
Costa de Sauípe (BA), 17 de Dezembro de 2008 - A afirmação do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, de que uma das prioridades da sua agenda como presidente pro tempore do Mercosul será a soberania energética não preocupa o ministro brasileiro das relações exteriores Celso Amorim. Questionado se a declaração do líder paraguaio não seria uma sinalização de dificuldades para o Brasil quanto a Itaipu, Amorim disse que não há problema de soberania em torno da hidrelétrica.
Amorim, no entanto, admitiu que o presidente Lula nesta quarta-feira terá um encontro bilateral com Lugo, no qual a questão de Itaipu deverá está na pauta. Hoje também o presidente brasileiro se encontrará com o chefe de estado do Equador, Rafael Correa.
Nas reuniões multilaterais de ontem, o calote equatoriano de US$ 243,9 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi evitado, mas constará da reunião de hoje entre Lula e Correa. Segundo Celso Amorim, o presidente brasileiro também se reunirá com o mexicano Felipe Calderón durante o último dia da Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (CALC), iniciada ontem.
Conselhos da Unasul
Além da Cúpula do Mercosul, foi concluída ontem, à tarde, também a da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Na reunião, presidida pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, houve a decisão de se criar os conselhos sul-americanos de segurança e de saúde.
De acordo com o ministro das relações exteriores Celso Amorim, a iniciativa do conselho de segurança foi proposta ainda na fundação da Unasul, há cinco meses, mas agora houve o consenso para sua implantação dentro de uma visão comum para cooperação, confiança mútua, treinamento, defesa e até a possibilidade de indústrias de equipamento nessas áreas.
"Mas o conselho não será um instrumento para operações militares", garante o chanceler. Já o conselho sul-americano de saúde terá como propósito a elaboração de programas conjuntos a serem financiados pelos governos. Durante a cúpula Unasul, também foi aprovado um relatório de direitos humanos para envio à Organização dos Estados Americanos (OEA) e Organização das Nações Unidas (ONU).
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 16)(José Pacheco Maia Filho)