Título: O mercado interno é prioridade, diz Fishlow.
Autor: Mônica Magnavita
Fonte: Gazeta Mercantil, 22/09/2004, Nacional, p. A-5
O professor norte-americano Albert Fishlow participou, ontem, do seminário Comércio Internacional e Desenvolvimento, promovido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), durante a cerimônia comemorativa dos 40 anos da instituição.
Os Estados Unidos, segundo ele, não têm condição de puxar a expansão internacional, como fez com o Plano Marshall, no pós-guerra. Hoje, o país enfrenta um déficit comercial com a China de US$ 100 bilhões, o que contribui para que os chineses mantenham com o resto do mundo uma relação de importador de grande porte. Além disso, os americanos amargam um déficit em conta corrente de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), que poderá atingir 10% em 2010.
"Para financiar esse déficit, o governo dos EUA terá que aumentar os juros e o dólar será desvalorizado", disse, concluindo que os EUA são o país mais aberto do mundo, já que são os responsáveis pela geração de saldos comerciais elevados em outras nações. A afirmação foi rebatida pelo economista da Pontifícia Universidade Católica (PUC) carioca Marcelo Abreu. "Se os Estados Unidos fossem o país mais aberto não imporiam tantas restrições a importação de produtos brasileiros nas negociações em torno da Alca e Mercosul". Não houve consenso.
Fishlow, um brasilianista, argumentou, ainda, que as apostas em um superávit comercial, no Brasil, contínuo e crescente poderão repercutir negativamente no crescimento econômico do país. "As importações de máquinas e equipamentos agregam investimentos e tecnologia é disso que o Brasil precisa", disse, o professor, que também é PhD pela universidade de Harvard. A seu ver, maiores importações resultarão em uma maior expansão do PIB.
O discurso está relativamente afinado com o do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que prevê taxas médias de crescimento das exportações em torno de 10%, a médio prazo. Fishlow chegou a defender um déficit em conta corrente entre 1,5% e 2% do PIB. E como garantir investimentos para financiar esse déficit? "Não vejo isso como um problema. Se o Brasil continuar crescendo será um pólo de atração para o investidor externo", disse.
Segundo o professor Fishlow, a melhor estratégia para o país é a ofensiva. Ou seja, o governo deve aumentar sua poupança interna, o que inclui a elevação da meta do superávit primário em análise pelo governo, e garantir estabilidade para que os investidores privados levem adiante seus projetos.
kicker: Brasilianista defende, para o Brasil, déficit em conta corrente entre 1,5% e 2% do PIB