Título: Candidatura de Michel Temer ganha mais força na Câmara
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Fonte: Gazeta Mercantil, 18/12/2008, Brasil, p. A9
Brasília, 18 de Dezembro de 2008 - A candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara recebeu ontem a adesão de partidos de oposição, ganhando ainda mais força para a eleição de fevereiro. PSDB, DEM, PPS e outras legendas, no total de onze, anunciaram apoio a Temer, que já contava com os votos da bancada do PT e outros seis partidos."A minha candidatura está presumivelmente muito forte", afirmou Temer a jornalistas depois de reunião com os parlamentares da oposição. "Eu não entro no clima de já ganhou."
Os partidos oposicionistas cobraram de Temer, no entanto, mais espaço à minoria nas relatorias de projetos e nos meios de comunicação da Casa. Os líderes desses partidos também disseram que o peemedebista tem as credenciais necessárias para assegurar a independência da Casa. "Para a valorização da Câmara, a eleição de Temer é fundamental", discursou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), no encontro dos partidos com Temer.
Para o líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), o peemedebista está acima dos interesses do governo e da oposição. "A candidatura de Temer é a candidatura da instituição", afirmou.
Durante a reunião, à qual a imprensa teve acesso, o candidato prometeu atender as demandas. O deputado disse que tentará restringir a edição de medidas provisórias pelo Executivo e fazer com que o Orçamento Geral da União se torne impositivo, tornando realidade um projeto dos mais antigos do Congresso Nacional. "Creio que terei condições de dialogar muito com o Executivo para que algumas medidas venham em regime de urgência ou urgência urgentíssima", declarou aos colegas em discurso.
Paralelas
Em outra sala, outros deputados tentavam reforçar a oposição a Temer. O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) lançou sua candidatura ao lado de outros dois parlamentares que também anunciaram que disputarão o cargo, Ciro Nogueira (PP-PI) e Milton Monti (PR-SP).
Nogueira disse apostar em um eventual segundo turno para vencer Temer. "Aqueles que temiam debate, agora vão ter que enfrentar", disse o deputado do PR.
"O ato é um compromisso estabelecido entre nossas candidaturas pela democracia na Casa, a soberania dos parlamentares na escolha do seu presidente. Sabemos que, em qualquer dessas três candidaturas, esses compromissos vão estar representados", disse Aldo Rebelo.
"Creio que uma candidatura nasce nos partidos, mas principalmente na representação dos parlamentares. A outra [de Temer] nasce nas cúpulas partidárias, mas não corresponde aos anseios da Casa no que diz respeito à sua soberania", completou.
Ciro Nogueira mandou recado ao Palácio do Planalto e disse esperar que "fatores externos" não influenciem na eleição. "Aqueles que temiam o debate, vão ter que enfrentá-lo. A Casa tem sérios problemas, que têm que ser resolvidos pelos deputados. Não são acordos externos que irão determinar quem é o próximo presidente", disse.
Os três candidatos rejeitaram o rótulo de representantes do "baixo clero". "Não fazemos nenhuma distinção ente os representantes do povo. Os partidos têm seus objetivos, as cúpulas dos partidos têm os seus objetivos", explicou Aldo Rebelo.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 9)(Reuters e Agência Brasil)