Título: Produtividade da indústria recua 3,5% em novembro
Autor: Saito,Ana Carolina
Fonte: Gazeta Mercantil, 14/01/2009, Brasil, p. A7

São Paulo, 14 de Janeiro de 2009 - A produtividade do trabalho na indústria caiu 3,5% entre outubro e novembro, resultado da queda de 5,2% na produção e de 1,7% no número de horas pagas no período. Com o recuo da produção superior à queda de 2,7% da folha de pagamento, o custo unitário do trabalho aumentou 2,6% no mês. Os cálculos foram feitos pela Tendências Consultoria Integrada a partir dos dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado de 12 meses, a produtividade chegou a avançar 4% até setembro. Após os resultados negativos da produção industrial no meses seguintes, a taxa de expansão caiu para 3,2% em outubro e 2,5% em novembro. "Na média do ano, o desempenho ainda é bom, mas o sinal é de desaceleração", comenta Cláudia Oshiro, da Tendências.

Já o custo unitário do trabalho avançou 1,3% em 12 meses até novembro. Segundo a economista, até setembro, o indicador registrava queda e, em outubro, passou para o terreno positivo, com uma alta de 0,35%.

"Se a produção cai com custos maiores, há impactos no emprego e na massa salarial", avalia o economista Rogério César de Souza, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). As consequências desse quadro podem ser o aumento da taxa de desemprego, seguido por diminuição da demanda e investimentos. "Podemos entrar em um ciclo vicioso perigoso", diz.

"O cenário de atividade é ruim para o mercado de trabalho", completa Cláudia, que prevê uma queda na produção industrial em dezembro de 8% em relação ao mesmo período de 2007 e recuo de 5,3% na comparação com novembro (com ajuste sazonal).

O economista do Iedi afirma que os impactos da redução da atividade industrial esperada para o último trimestre do ano passado sobre o emprego devem aparecer de forma mais intensa nos três primeiros meses de 2009. Segundo Souza, a ocupação reage com defasagem em relação à produção. Em outubro, o emprego industrial ainda se manteve firme frente aos efeitos da crise, mas em novembro registrou queda de 0,6%. "A desaceleração já estava em curso antes da crise. O que agora preocupa é o sinal", diz.

Ele lembra que a falta de crédito atingiu setores que vinham liderando o crescimento da produção industrial e a contratação de trabalhadores no ano passado - nos segmentos de bens de capital e duráveis. "Em novembro, eles ainda têm taxas positivas de emprego, mas em menor ritmo. Além disso, esses setores já apresentam recuos na produção", afirma.

Souza acrescenta que o nível de atividade no maior centro industrial do País, São Paulo, já sentiu os efeitos da crise em novembro, o que reforça a previsão de retração do emprego. O Sinalizador da Produção Industrial (SPI), elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a AES Eletropaulo, aponta uma retração 13,5% na indústria paulista em dezembro face novembro (com ajuste sazonal). Em relação ao mesmo mês de 2007, projeção é de uma produção do estado de São Paulo 2,6% menor. Em 12 meses, a taxa de expansão se reduziria de 7%, em novembro, para 5,4%, em dezembro, segundo pesquisa divulgada ontem.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Ana Carolina Saito)