Título: Skaf contesta ministro e defende corte de juros
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 15/01/2009, Brasil, p. A5

São Paulo, 15 de Janeiro de 2009 - O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou ontem que quer ver a lista de empresas beneficiadas pelo governo com recursos públicos. Skaf fez esta declaração em resposta ao ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, segundo o qual o governo teria feito sua parte para ajudar as empresas e elas não estariam cumprindo a promessa de manutenção dos empregos.

O presidente da Fiesp declarou que o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido pelo governo para incentivar a compra de veículos novos, incide diretamente no preço pago pelo consumidor e não na carga tributária das empresas.

"A iniciativa do governo de reduzir uma parte desses impostos, não se enquadra em uma situação de empresas usando recursos do governo", ressaltou Skaf, logo após participar de reunião do Conselho Superior Estratégico da Fiesp.

Segundo ele, todos os participantes da reunião consideram que a redução da jornada de trabalho e do salário é a única forma de evitar as demissões nesse período de crise econômica global.

Skaf ressaltou que, com isso, os empresários estão conscientizando a sociedade de que o país vive um momento atípico, especial, que exige coragem para tomar iniciativas e usar instrumentos que a lei já prevê.

Segundo Skaf, os acordos para garantir estabilidade devem ser feitos entre empresas e sindicatos. "Claro que, por um tempo determinado em que vá haver redução de jornada e salário, nesse período em que se fizer o acordo, haverá preocupação com a manutenção do emprego. A preocupação é a de que o emprego seja mantido".

Skaf afirmou que a intenção é minimizar o problema das demissões. "Queremos dar uma saída às empresas para evitar as demissões. Ninguém quer um chefe de família sem trabalho."

Os empresários que integram o Conselho Superior Estratégico da Fiesp foram unânimes em exigir o recuo da taxa básica de juros da economia (Selic) e a redução de jornada de trabalho com redução de salário como alternativas ao desemprego.

Segundo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, "se a taxa de juros não baixar, parte da culpa do desemprego será do governo", afirmou. "Não haveria nenhum problema se a taxa estivesse em 8, 9%", comentou.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 5)(Agência Brasil)