Título: Com forte instabilidade, dólar sobe 0,92%
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Fonte: Gazeta Mercantil, 30/01/2009, Finanças, p. B2
São Paulo, 30 de Janeiro de 2009 - O rali pela formação da taxa Ptax (média oficial do dólar) garantiu a instabilidade ontem. O dólar chegou a recuar 1%, ao patamar de R$ 2,25, mas acabou fechando o dia em alta de 0,92%, vendido a R$ 2,296. Nos mercados, os fracos resultados trimestrais e dados econômicos piores do que o esperado estimularam a venda de ações e a compra de dólares. A montadora norte-americana Ford registrou prejuízo de US$ 5,9 bilhões para o quarto trimestre - o pior resultado nos 105 anos de história -, perdendo US$ 14,6 bilhões em 2008. Do lado econômico, houve queda de 14,7% na venda de casas novas nos Estados Unidos em dezembro e contração de 2,6% dos pedidos de bens duráveis. Já o número de norte-americanos que entrou com pedido por seguro-desemprego cresceu em 3 mil semana passada, para 588 mil. Em relatório, a corretora NGO destaca que a moeda norte-americana parece tendente a retornar a parâmetros de preços mais compatíveis com a realidade do quadro brasileiro frente à crise internacional, em meio ao enfraquecimento dos movimentos especulativos que vêm elevando as cotações desde agosto do ano passado. "O sistema financeiro sólido, as reservas cambiais e o Produto Interno Bruto (PIB) centrado no consumo interno e não dependente de forma expressiva do comércio externo são pontos que diferem o Brasil dos demais países emergentes", destaca a corretora. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada hoje pelo Banco Central (BC) veio em um tom mais ameno e confirma a expectativa do mercado de que novas reduções da taxa Selic virão nos próximos meses, ressalta Marco Gazel, sócio da M2 Investimentos. No entanto, a curva de juros futuros ignorou o tom mais tranquilo da ata e apontou alta. Os contratos de curto prazo subiram discretamente, pois, continua precificando cortes na taxa Selic para os próximos meses. Já no longo prazo as taxas avançaram com mais intensidade decorrente das incertezas sobre o rumo da economia mundial que afeta o humor dos investidores. O contrato de DI de janeiro de 2010, o mais líquido, subiu de 11,20% para 11,27% ao ano.
A LCA consultores avalia que diversos fatores sugerem que o colegiado do BC continuará a reduzir a Selic, atualmente 12,75% ao ano, no decorrer de 2009. Porém, o Copom retém certa preocupação com o efeito do comportamento do câmbio na composição de preços.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Investnews)