Título: Setor petroquímico começa a se recuperar
Autor: França,Anna Lúcia
Fonte: Gazeta Mercantil, 10/02/2009, Indústria, p. C3

São Paulo, 10 de Fevereiro de 2009 - As petroquímicas iniciam o ano de 2009 no final do ciclo de investimentos para expansão das capacidades. Tanto no Brasil como no mundo, a oferta tende a ser maior devido a essas novas operações, o que, combinado com a crise que pressiona a demanda, pode ser prejudicial para o setor no curto prazo. Mas o cenário, que parecia assustador, já começa a ficar mais claro e, em janeiro, já houve sinais de recuperação da demanda, segundo avaliação da PricewaterhouseCoopers.

"Entramos no ciclo de baixa, que normalmente acontece, depois de fortes investimentos, só que desta vez em plena crise. Mas também tivemos uma queda dos preços da matéria-prima, o que reduz a pressão", explicou o especialista da consultoria no setor de petroquímica, Carlos Coutinho.

A diferença, desta vez, segundo o especialista, é que nunca o setor esteve tão forte no Brasil. E isso só foi conseguido após o movimento de consolidação intenso, que resultou em duas grandes petroquímicas, Braskem e Quattor. "Isso faz muita diferença na hora de enfrentar crises, porque grupos petroquímicos maiores conseguem responder mais rapidamente às dificuldades", disse.

Para Coutinho, uma das grandes alternativas das petroquímicas para 2009 será ocupar o espaço das importações, que cresceram muito no último ano. "O Brasil é deficitário em resinas, porque mais importa que exporta, e não é difícil prever que agora as duas empresas irão suprir a demanda local", afirma. O especialista, no entanto, afirma que a melhoria mesmo só virá em 2010, quando as a situação estiver estabilizada, principalmente com o fortalecimento de setores que puxam como agricultura, construção, higiene e limpeza, automotivos e eletrônicos.

"Houve um aumento de estoques, mas já há uma luz no fim do túnel. Claro que a crise existe, porém, a grande questão que ainda pesa para indústria é a dificuldade de crédito", explica o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais e da Petroquímica no Estado de São Paulo (Simproquim), Nelson Pereira dos Reis. Para ele, a virada do dólar abre possibilidades de ampliações das exportações. "Além disso, o mercado interno tem boas condições de sustentar a demanda, se houver mais liberação de crédito", disse.

De acordo com Reis, a redução dos preços das matérias-primas também abre possibilidades de redução dos preços de produtos finais, ampliando o número de consumidores na ponta. "Uma fralda descartável, por exemplo, cujos componentes são provenientes da petroquímica, tinha seu preço num patamar acima e, com a redução de preços da matéria-prima, podemos dar acesso a novos consumidores", afirma.

Os dados, entretanto, não são tão animadores. Segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a crise internacional causou um desalinhamento de estoques e preços no mercado mundial de diversos produtos, impactando diretamente os resultados apurados nos últimos três meses do ano passado. No quarto trimestre de 2008, em relação ao mesmo período de 2007, a queda na produção foi de 19,56% e as vendas internas caíram 38,03%. O consumo de produtos químicos, de acordo com o levantamento da entidade, caiu em diversos locais, sobretudo nos Estados Unidos, na Europa e também na Ásia, notadamente na China. Além disso, a queda dos preços das commodities, como o petróleo e a nafta, derrubou a cotação dos produtos químicos de uso industrial no mercado internacional.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3)(Anna Lúcia França)

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