Título: Reino Unido amplia ajuda aos bancos
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Fonte: Gazeta Mercantil, 20/01/2009, Finanças, p. B3
Nova York, 20 de Janeiro de 2009 - O governo do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, anunciou ontem um novo pacote de resgate financeiro que aumentará o seu controle sobre as instituições de crédito. O governo oferecerá garantia aos bancos sobre os ativos com problemas e tomará outras medidas para restaurar o crédito e fomentar a economia do país. O governo também afirmou que está revendo os termos de sua ajuda financeira ao Royal Bank of Scotland, elevando a sua participação acionária sobre o banco de cerca de 58% para cerca de 70%.
Falando da residência do primeiro-ministro em Downing Street, Brown responsabilizou os bancos pela atual crise financeira por terem concedido "empréstimos de maneira irresponsável" e esclareceu que as instituições que forem favorecidas pelas novas medidas serão obrigadas a comprometerem-se legalmente com o governo a oferecer mais crédito para os consumidores e empresas. O Tesouro britânico informou que as novas medidas custarão aos contribuintes outros 100 bilhões de libras, ou US$ 147 bilhões, além dos 37 bilhões de libras anunciados em outubro e dos 20 bilhões de libras do pacote de estímulo econômico anunciado em novembro.
As novas medidas tornaram-se urgentes uma vez que os preços dos imóveis continuam em queda e o crescimento econômico precisa ser reativado. A economia do Reino unido deve registrar uma forte retração no quarto trimestre e uma maior deterioração da economia é esperada para 2009. Apontando os esforços dos governos europeus, dos Estados Unidos e Japão para enfrentar a crise financeira, Brown enfatizou a dimensão mundial do problema. "Está claro que nenhum país poderá resolver sozinho esta crise global."
Ele defendeu que as autoridades britânicas trabalhem em conjunto com os outros países nas próximas semanas em um sistema internacional de regulação financeira. Em Bruxelas, a Comissão Européia advertiu que a União Européia amargará "uma recessão profunda e prolongada" e previu que o bloco deve sofrer uma contração de 1,8% em 2009, acompanhada da perda de 3,5 milhões de postos de trabalho.
Sob o novo plano de garantia de ativos, o Tesouro britânico "protegerá as instituições financeiras contra a exposição a possíveis perdas futuras de crédito em certos portfólios de ativos" em troca de uma tarifa. As instituições que participarem do plano ficarão com as perdas iniciais e o Tesouro com a maior parte do restante - até 90%. Além disso, o Banco da Inglaterra autorizou a criação de um fundo para adquirir até 50 bilhões de libras de "ativos de alta qualidade" de bancos e outras instituições financeiras. O governo também estendeu as medidas do plano de outubro para aumentar a liquidez do sistema financeiro, incluindo um programa de 250 bilhões de libras que permitirá aos bancos emitir bônus lastreados pelo governo.
A nova estratégia britânica é uma resposta às críticas de que o plano anterior de Brown não teria obtido sucesso em estimular os bancos a conceder novos empréstimos. Na semana passada, as ações dos bancos do país recuaram em meio aos temores de que os bancos de todo o mundo registrarão baixas contábeis ainda maiores, inclusive com a possibilidade de nacionalizações.
As autoridades britânicas disseram que o governo não tem interesse em se tornar um investidor permanente nas instituições financeiras e que se desfazerá no futuro de suas participações acionárias. Em Washington, David Axelrod, um dos principais conselheiros do presidente eleito Barack Obama, afirmou à rede de televisão ABC que a segunda metade do pacote de estímulo econômico de US$ 700 bilhões, que será liberada após a posse de Obama, deverá ser administrada de modo que o "crédito seja novamente endereçado às famílias e empresas de todo o país. Isto não aconteceu com os primeiros US$ 350 bilhões".
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(The New York Times)