Título: Petrobras revê plano que previa contratar 14 mil funcionários
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Fonte: Gazeta Mercantil, 02/02/2009, InfraEstrura, p. C5

São Paulo, 2 de Fevereiro de 2009 - A Petrobras vai reexaminar seu plano de contratar mais de 14.000 funcionários até 2010, uma vez que a queda vertical dos preços do petróleo demanda redução de custos, disse sexta-feira seu presidente, José Sergio Gabrielli.

A estatal não pretende demitir funcionários, disse Gabrielli em entrevista à "Bloomberg Television" concedida em Davos, na Suíça. A empresa provavelmente vai aumentar seu quadro de empregados, afirmou, sem fornecer detalhes precisos sobre os planos da empresa.

A Petrobras, que fez as maiores descobertas de petróleo das Américas nos últimos 30 anos, planeja cortar custos em até US$ 4 bilhões anuais durante os próximos dois anos para evitar a expansão do endividamento, num momento em que a queda dos preços do petróleo reduzem sua receita. Concorrentes como a ConocoPhillips, a terceira maior petrolífera dos Estados Unidos, estão fechando postos de trabalho e reduzindo os planos de gastos depois da queda do petróleo. O petróleo deverá alcançar, em média, US$ 37 o barril este ano, disse Gabrielli. O preço despencou 72% desde que alcançou a cotação recorde de US$ 147,27, em julho de 2008.

Após a queda do barril, os gastos são o maior obstáculo ao desenvolvimento dos poços em águas ultraprofundas ao largo da costa brasileira, que incluem o campo de Tupi, a maior descoberta das Américas desde o campo de Cantarell, encontrado pelo México em 1976.

A Petrobras quer que as empresas prestadoras de serviços a campos de petróleo reduzam os preços após a retração da cotação do petróleo bruto. A Petrobras vai reanalisar todos os acordos de mão-de-obra, os contratos de serviços, aumentar a concorrência em licitações e aumentar as pressões sobre os fornecedores para contribuir para reduzir os custos, disse Gabrielli. O plano de gastos é "agressivo" e a petrolífera precisará recorrer ao mercado de capitais a fim de chegar a seus objetivos, disse a Raymond James & Associates em relatório divulgado a 26 de janeiro a investidores.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Bloomberg News)