Título: Desemprego atingirá a maior alta desde 2002
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Fonte: Gazeta Mercantil, 17/02/2009, Brasil, p. A4
Rio de Janeiro, 17 de Fevereiro de 2009 - O índice de desemprego do Brasil deve registrar em janeiro deste ano seu maior salto desde 2002, uma vez que as empresas cortaram postos de trabalho a um ritmo próximo do recorde, movidas pela desaceleração do crescimento.
A taxa de desemprego, a ser divulgada na próxima sexta-feira, dia 20 de fevereiro, subiu para 7,8% em janeiro, em relação aos 6,8% de dezembro, segundo pesquisa realizada pela Bloomberg entre sete analistas. Se se confirmar, essa será a maior elevação do indicador desde fevereiro de 2002.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na semana passada planos de construir 1 milhão de moradias para proteger os trabalhadores da construção civil dos efeitos da crise mundial do crédito. Na semana passada, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que vai gastar até R$ 1,1 bilhão para aumentar o seguro-desemprego. O governo também cortou em R$ 8,4 bilhões os impostos e injetou cerca de US$ 100 bilhões no sistema bancário para estimular o crescimento.
"As medidas do governo apontam na direção certa, uma vez que a construção civil é o principal impulsionador da expansão do emprego, mas o plano não compensará os efeitos da redução da demanda privada", disse Alexandre Lintz, economista-chefe para o Brasil do BNP Paribas.
A Companhia Vale do Rio Doce (Vale), maior produtora mundial de minério de ferro, demitiu 1.3000 funcionários em dezembro, capitaneando o corte das maiores empresas brasileiras, que fecharam 655.000 vagas naquele período. As dispensas prosseguiram em janeiro, disse na semana passada o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Lintz prevê que o congelamento das contratações continuará e que o desemprego alcançará seu pico, de 10,5%, em março de 2010. A taxa de desemprego das seis principais capitais brasileiras não ultrapassa 10% desde maio de 2007.
Os resultados de dezembro das vendas do varejo, a serem publicados hoje, devem ter crescido 2,8%, seu ritmo de expansão anual mais lento desde julho de 2006, quando subiram 2,3%. A produção industrial despencou 14,5% em dezembro, sua maior retração desde 1992, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção de veículos despencou 54% em dezembro do ano passado em relação ao mesmo mês de 2007, sua maior baixa de nove anos, informou em janeiro a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4)(Bloomberg News)