Título: Obama pede reformas políticas e econômicas
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Fonte: Correio Braziliense, 21/03/2011, Mundo, p. 15
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defende uma profunda reforma política e econômica como receita para a construção de um ambiente de estabilidade não apenas na Líbia, mas no Oriente Médio como um todo. ¿Acreditamos que o status quo (na região) é insustentável. Só haverá estabilidade real se houver um processo de reformas ¿, disse Obama em entrevista publicada ontem pelo jornal El Mercurio, do Chile, onde o líder americano desembarca hoje para a segunda escala de sua viagem pela América Latina, iniciada sábado em Brasília. Foi do Palácio do Planalto, logo após reunir-se com a presidente Dilma Rousseff, que Obama deu ordem para o início dos ataques à Líbia, com participação direta das forças americanas.
As novas declarações coincidem com o aumento da pressão por parte da oposição republicana, que cobra do presidente uma definição mais clara dos objetivos da operação, autorizada no âmbito da Resolução nº 1.973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, aprovada na noite de quinta-feira. De acordo com a emissora de TV CNN, senadores republicanos com atuação destacada nos assuntos de política externa e defesa, como Richard Lugar e John McCain ¿ derrotado por Obama na eleição presidencial de 2008 ¿ questionam a demora do governo em apoiar e articular a ação militar contra o ditador Muamar Kadafi. A oposição, que retomou o controle do Senado nas eleições de novembro último, criticou a ausência de colocações mais incisivas sobre o Oriente Médio no discurso pronunciado ontem pelo presidente no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Horas depois de iniciadas as operações na Líbia, na tarde de sábado, com uma salva de mísseis disparados por navios contra alvos militares, Obama falou na Embaixada Americana, em Brasília, aos jornalistas dos EUA que o acompanham na viagem. ¿Hoje, autorizei as Forças Armadas a iniciar uma ação militar limitada na Líbia, em apoio aos esforços internacionais para proteger os civis¿, anunciou. O presidente ressaltou que a opção pelo ataque ¿não é o desenlace que os EUA e seus aliados buscavam¿, mas responsabilizou o ditador líbio pelo conflito. ¿Ontem mesmo, a comunidade internacional deu a Muamar Kadafi a oportunidade de observar um cessar-fogo, mas os ataques dele a seu próprio povo continuaram¿, reforçou.
O presidente, que se elegeu criticando duramente a invasão do Iraque por George W. Bush, em 2003, ressaltou que está ¿consciente dos riscos¿ envolvidos em ¿qualquer operação militar¿, mas lembrou que ¿os EUA estão agindo como parte de uma ampla coalizão¿. E fez questão de reiterar que está excluída uma invasão da Líbia por forças americanas: ¿Como eu afirmei ontem, nós não vamos ¿ eu repito, nós não vamos ¿ enviar tropas dos EUA (para o país)¿.
Uma região em convulsão
O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, que enfrenta uma série de crescentes protestos populares desde janeiro, decidiu ontem dissolver o governo ¿ dois dias depois que homens armados identificados como pró-regime mataram 52 manifestantes na capital, Sanaa, logo depois da oração semanal. Segundo a agência de notícias estatal Saba, Saleh ¿ficará encarregado dos assuntos internos até a formação de um novo executivo¿. A decisão foi anunciada enquanto uma multidão de opositores (foto) participava, na área da Universidade de Sanaa, do funeral de algumas vítimas do ataque de sexta-feira. Foi a maior manifestação desde o início da pressão pela saída de Saleh, há 32 anos no poder. O presidente afirmou que ¿lamentava¿ a morte dos manifestantes e negou que os disparos tenham sido feitos por agentes das forças de segurança. A decisão de dissolver o governo ocorreu após a renúncia da ministra dos Direitos Humanos, Huda al Baan, que disse protestar contra ¿o massacre cruel¿ na praça da universidade. Também abandonaram Saleh o embaixador do Iêmen nas Nações Unidas, Abdullah al Saidi, e a diplomata Jamila Raja, apontada como a próxima embaixadora do país no Marrocos. A violenta repressão tem sido a tática do governante iemenita para tentar se manter no poder pelo menos até 2013, quando acaba o mandato obtido nas últimas eleições ¿ claramente fraudadas, segundo a oposição.
EGITO Mudanças são aprovadas
Setenta e sete por cento dos egípcios que votaram no referendo organizado no sábado aprovaram a revisão da Constituição. A participação foi de 41% dos eleitores habilitados. Cerca de 14 milhões de egípcios concordaram com as reformas previstas, que incluem a limitação do mandato presidencial a cinco anos e facilidades para a apresentação de candidaturas. As Forças Armadas, que assumiram o poder depois da queda de Hosni Mubarak, agora devem marcar as eleições.
SÍRIA Um morto e 100 feridos
As forças de segurança sírias mataram ontem um manifestante, durante protesto contra o governo em Deraa, no sul do país, afirmaram militantes dos direitos humanos. Os soldados lançaram bombas de gás lacrimogêneo e dispararam contra uma multidão calculada em 10 mil pessoas, deixando pelo menos 100 feridos, dizem os opositores ao regime. A Síria, onde o estado de emergência está em vigor desde 1963, é, desde terça-feira, palco de protestos para exigir mais liberdade. Os opositores incendiaram o Palácio de Justiça da cidade, além de edifícios e veículos.