Título: Serra vai ao MP contra Marta e Lula
Autor: Sérgio Prado e Wallace Nunes
Fonte: Gazeta Mercantil, 22/09/2004, Política, p. A-8

Tucanos contestam participação do presidente na campanha pela reeleição em São Paulo. A Coligação Ética e Trabalho (PSDB-PFL-PPS), que apóia a candidatura do tucano José Serra à prefeitura de São Paulo, entrou no início da noite de ontem com representação no Ministério Público contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), por abuso do poder político e uso da máquina pública.

No sábado, o presidente Lula havia pedido votos para a reeleição da prefeita, que concorre à reeleição, durante inauguração de uma ampliação da Radial Leste, em São Paulo. E domingo, o presidente esteve em Recife para participar da campanha à reeleição do prefeito João Paulo.

No próximo sábado, está previsto que Lula irá ao Rio de Janeiro para prestigiar um programa de alfabetização. Lá, o candidato petista Jorge Bittar, que está muito mal nas pesquisas sobre a preferência dos eleitores concorre com o candidato do PFL César Maia.

O PFL levanta a suspeita de que o presidente possa repetir o gesto de São Paulo e Recife e pedir votos para Bittar, o que poderia atrapalhar a tranqüila campanha de César Maia à reeleição ainda no primeiro turno.

Após a polêmica, o presidente do PT, José Genoino, disse que Lula não deverá mais participar da campanha de primeiro turno de candidatos petistas a prefeito. Mas, de acordo com o próprio presidente do PT , nada foi combinado com Lula. "Não temos programação que inclua o presidente nessa visita ao Rio", disse.

De acordo com a coordenação da campanha de Serra, o requerimento "relata fatos ocorridos no último sábado durante evento de inauguração do prolongamento da avenida Radial Leste. Ontem, no horário eleitoral gratuito de TV do PT, foram usadas cenas do evento de sábado com as declarações de Lula de apoio a Marta.

Na segunda-feira, os tucanos paulistanos chegaram a anunciar que pediriam a cassação do registro de candidatura da prefeita, mas recuaram e transferiram a atribuição ao Ministério Público.

De forma indignada, Edson Aparecido, deputado estadual, e um dos coordenadores de campanha do candidato tucano, havia dito que a atitutde do presidente Lula passava por cima da lei eleitoral. "É no mínimo um desrespeito as regras do jogo eleitoral", disse o coordenador de campanha de Serra.

Ontem o candidato tucano disse não haver dúvida de que o PT e Lula infringiram a legislação.

Ao fazer corpo-a-corpo pelas ruas da Zona Norte da cidade Serra devolveu as críticas feitas na véspera pelos ministros José Dirceu (Casa Civil), e Tarso Genro, (Educação), que, respectivamente, usaram as expressões espernear e pavor para classificar as reações do PSDB diante da participação do presidente Lula na campanha de Marta Suplicy. "Eles é que estão esperneando, eles é que estão com medo," disse Serra após conversas com eleitores. "A ponto de a prefeita ter dito agora que prefeito não tem horário, que pode fazer campanha durante o horário de trabalho. Isso é ao mesmo tempo receio e espernear", concluiu.

Serra voltou a sustentar que o apoio do governador Geraldo Alckimin a sua campanha não é comparável ao que o presidente deu a Marta no fim de semana durante inauguração de trecho da Radial Leste, obra que tem a participação do governo federal.

O candidato do PSDB também criticou as obras entregues nas últimas semanas pela prefeitura, taxando-as de eleitoreiras. "As obras de última hora estão custando caro para São Paulo. Não custam caro apenas no dinheiro," disse. Ainda segundo ele, "o custo da pressa não vai reverter as pesquisas. Nós estamos vendo corredores mal planejados e gente atropelada".