Título: Mercado reduz previsão de inflação e juros em 2009
Autor: Stecanella,Vanessa
Fonte: Gazeta Mercantil, 27/01/2009, Brasil, p. A6

São Paulo, 27 de Janeiro de 2009 - Diante do quadro macroeconômico nacional, o mercado financeiro cortou as estimativas para inflação e juros neste ano. A constatação faz parte do Boletim Focus elaborado em 23 de janeiro pelo Banco Central (BC).

De acordo com o relatório, divulgado ontem pela autoridade monetária, os economistas esperam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atinja 4,64% no final de 2009, taxa inferior à alta projetada uma semana antes (4,8%). Para 2010, a expectativa de inflação de 4,5%. Com a perspectiva de melhora da inflação, o que deixaria o indicador bem próximo ao centro da meta fixada pelo governo em 4,5%, o mercado aposta em mais cortes na taxa básica de juros (Selic).

Depois de se surpreender com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que deixou o conservadorismo de lado, ao anunciar um corte de 1 ponto percentual da taxa básica de juros, para 12,75% ao ano, o mercado financeiro parece acreditar em um afrouxamento maior da política monetária.

Segundo o boletim, os especialistas consultados pelo BC reduziram de 11,25% para 11% os juros. Há quatro semanas atrás, as apostas eram de Selic na casa dos 12% ao final deste ano. Para 2010, a previsão caiu de 11% para 10,75%. Já a taxa média passou de 11,78% para 11,50% em 2009 e de 11,4% para 11,25% em 2010.

PIB cresce apenas 2%

Embora o governo esteja agindo para combater a falta de confiança que se abateu no mercado brasileiro, que está preocupado com os efeitos da crise financeira internacional por aqui, muitos especialistas avaliam que as ações foram brandas ou demoraram a serem anunciadas, com isso a previsão de crescimento da economia nacional minguou. De acordo com o levantamento realizado pelo Banco Central, o PIB pode crescer apenas 2% em 2009. Para o próximo ano, a projeção foi reduzida de 3,9% para 3,8%. A estimativa para o desempenho da produção industrial caiu de 2,15% para 2% em 2009, e de 4,3% para 4,05% em 2010.

Segundo a pesquisa realizada com analistas, a dívida pública (diferença entre despesas e arrecadação do governo) vai corresponder a 36,45% do PIB em 2009 - abaixo da expectativa anterior, que era de 36,75%. Já para 2010, a previsão de economistas se manteve em 35,3%.

O boletim Focus mostra ainda que os analistas mantiveram a estimativa para o câmbio ao final deste ano. De acordo com a sondagem, o dólar pode custar R$ 2,30 - a mesma previsão da semana passada. Já a expectativa para a taxa média do câmbio subiu de R$ 2,25 para R$ 2,30. Para 2010, a projeção manteve-se em R$ 2,28. Já a taxa média caiu para R$ 2,29 e R$ 2,23, respectivamente.

Diante disso, o cenário para o desempenho comercial brasileiro permanece o mesmo há três semanas. Para os economistas consultados pelo Banco Central, o balança comercial pode registrar superávit de US$ 14,5 bilhões em 2009, mas subiu de R$ 13 bilhões para R$ 13,85 bilhões no próximo ano.

A projeção dos economistas para o déficit em conta corrente manteve-se em US$ 25 bilhões neste ano e saiu de US$ 29,60 bilhões para US$ 30 bilhões em 2010. Para os analistas, o ingresso Investimento Estrangeiro Direto (IED) no País pode atingir US$ 23 bilhões - a mesma previsão da semana passada. Para o próximo ano , a entrada IED no Brasil pode alcançar US$ 25 bilhões - a taxa é mantida há nove semanas.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 6)(Vanessa Stecanella/InvestNews)