Título: Consumo de gás natural recua 29% em janeiro
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Fonte: Gazeta Mercantil, 20/02/2009, InfraEstrutura, p. C11

Brasília, 20 de Fevereiro de 2009 - O volume de gás natural comercializado no Brasil atingiu a média diária de 33,7 milhões de metros cúbicos em janeiro, 22,2% inferior ao de dezembro e 29% menor que o registrado em janeiro de 2008, informou ontem a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).

Segundo a entidade, a forte queda no consumo foi provocada pela redução da atividade industrial devido à crise e pelo preço considerado alto do gás natural na comparação com concorrentes como o óleo combustível.

"A redução acentuada de mais de 10 milhões de metros cúbicos diários de um mês para o outro foi puxada, principalmente, pela crise econômica", informou a associação, em relatório mensal sobre a comercialização. "Os preços do insumo influenciaram também de forma negativa o consumo. O preço do gás mostra-se distorcido em relação ao dos demais combustíveis industriais. Seu preço chega a ser 40% superior ao do óleo combustível vendido no mercado nacional", acrescentou a entidade.

"Os dados do primeiro mês do ano demonstram que a falta de política energética fez com que o insumo perdesse competitividade em todos os segmentos", afirmou no relatório Armando Laudorio, presidente da Abegás.

O setor industrial consumiu 18,7 milhões de metros cúbicos diários em janeiro, ante um volume médio mensal em 2008 de aproximadamente 25 milhões de metros cúbicos diários. Além disso, o menor acionamento de usinas termelétricas, já que os reservatórios das hidrelétricas estão bem abastecidos graças ao bom volume de chuvas, colaborou para a redução da demanda por gás.

A própria Petrobras já havia informado que estava sobrando gás, com excedente diário na oferta em torno de 14 a 16 milhões de metros cúbicos. A estatal, porém, não fez menção ao preço, que foi elevado algumas vezes nos últimos meses desde que o País passou por um aperto na oferta, devido ao grande acionamento das térmicas e a reduções no envio por parte da Bolívia.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 11)(Reuters)