Título: Volume de crédito cresce 10,5% no ano
Autor: Simone Cavalcanti
Fonte: Gazeta Mercantil, 22/09/2004, Finanças & Mercados, p. B-2
O sistema financeiro nacionalregistrou R$ 452,8 bilhões em operações de crédito em agosto, um aumento de 1,3% na comparação com o mês anterior e de 10,5% no ano. Segundo nota divulgada ontem pelo Banco Central, isto representou uma elevação de 26,2% para 26,4% na proporção do Produto Interno Bruto (PIB).
O volume de financiamentos com recursos livres aumentou 1,6% em agosto frente ao apurado em julho e de 15,2% no acumulado do ano, chegando a R$ 258,323 bilhões - e passando de 14,87% (em julho) para 15,03% na relação com o PIB. Houve uma expansão de 2,6% nos empréstimos a pessoas físicas ficando em R$ 103,999 bilhões. No caso de pessoas jurídicas, a elevação foi de 3,2% nos recursos exclusivamente domésticos. Mas houve retração de 2,9% nos empréstimos referenciados em moeda estrangeira.
Os recursos direcionados tiveram elevação de 0,7%, passando de R$ 162,749 bilhões para R$ 163,935 bilhões. O destaque ficou com os créditos rurais, com aumento (2%) que os elevou a R$ 48,133 bilhões. Em seguida, vêm os repasses diretos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que foram elevados em 0,7%, passando a R$ 44,397 bilhões. Para o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, esse é um quadro de franca expansão do crédito, que vem se consolidando a cada mês e reflete o aumento dos financiamentos para a produção e consumo.
No caso do "spread" geral (diferença entre as taxas de captação e o custo dos empréstimos cobrados do tomador final), houve ligeiro aumento pelo segundo mês consecutivo: subiu 0,3 ponto percentual e ficou em 27,5% ao ano. O "spread" cobrado de pessoas juríficas ficou igual (13,1% ao ano) de um mês para outro; mas o que incide em operações de pessoas físicas também teve ligeiro, subindo de 45,3% a 45,7% ao ano. Na opinião de Lopes, esse movimento de alta é muito pequeno. Ele não quis falar mais a respeito dos motivos, mas assegurou que a taxa de inadimplência - um dos quatro itens levados em conta na formação do "spread" - "seguramente" não foi um deles. Há três meses consecutivos, a taxa de inadimplência fica em 7,2%, um patamar considerado baixo por Lopes.
Segundo o chefe do Depec, as taxas de financiamento mais altas apuradas em agosto só refletem a elevação dos juros futuros, conseqüência da sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) de que iria aumentar a Selic. Quando se considera um período mais longo (como se vê no gráfico), as taxas de juros para crédito pessoal vêm apresentando queda: em dezembro de 2002, chegavam a 91,8% ao ano; em agosto de 2004, ficaram em 73,8%.
A base monetária apresentou expansão de 0,7% em agosto, passando de R$ 72,029 bilhões (em julho) para R$ 72,520 bilhões.