Título: Governo prevê recuperação no 2º- semestre
Autor: Monteiro, Viviane
Fonte: Gazeta Mercantil, 11/03/2009, Brasil, p. A8
11 de Março de 2009 - O resultado do PIB no último trimestre de 2008 surpreendeu o governo que atribuiu o resultado negativo em 3,6% à falta de crédito e a redução das exportações, reflexo do agravamento da crise global. O governo aposta em retomada da economia somente no segundo semestre. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, considerou o recuo "violento", enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu destacar que o País vai sofrer menos do que outros.
Apesar da retração forte no último trimestre do ano passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega e do Planejamento, Paulo Bernardo, consideraram o resultado positivo. Os ministros afirmam que a economia deve retomar o crescimento nos próximos meses, porque as medidas de estímulo à atividade industrial, já anunciadas, devem "maturar". Para eles, a queda brusca da economia não comprometeu a alta do PIB no ano passado que cresceu 5,1%. "Um crescimento acima de 5% é um resultado excelente. O nível do investimento na economia atingiu 13,%; com isso a relação do investimento em relação ao PIB atingiu 19%, o que é um resultado bastante positivo", disse Mantega. Ele afastou a hipótese de uma recessão técnica. "Deveremos registrar no primeiro trimestre de 2009 um desempenho econômico melhor do que último trimestre de 2008, o que nos deixa distante de um possível déficit técnico."
Mantega reconheceu que o desafio do governo é resolver os problemas de crédito que continua escasso, principalmente para as pequenas empresas. Ele ainda citou o problema de queda da demanda mundial. "Os setores voltados para o exterior são os mais afetados pela crise, porque eles não têm como manter o nível de exportação."
Em entrevista à Gazeta Mercantil, o ministro Paulo Bernardo disse que, apesar do resultado negativo do último trimestre, o dado do ano foi "muito bom". "O resultado foi ruim, porque a economia brasileira vinha numa performance muito positiva até o terceiro trimestre, quando atingiu alta de 6,8%."
Ao considerar "violenta" a queda do PIB no quarto trimestre, Dilma disse que já esperava um resultado negativo, embora em menor proporção. Isso em razão do que ela chamou de choque de crédito no País, devido à queda da liquidez do sistema financeiro internacional.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse, em nota, que o resultado mostra que o Brasil não está imune à crise, mas que tem fundamentos sólidos, o que ajudará na retomada, fazendo com que o País tenha condições de sair rapidamente da crise.
O presidente Lula disse que o resultado já era esperado. "Tínhamos consciência de que, em função do aconteceu a partir de outubro, íamos ter um trimestre fraco e temos consciência de que é possível a gente dar a volta por cima", disse Lula, ao explicar que março já apresenta sinais de recuperação na atividade econômica. Segundo o presidente, até o final do ano haverá uma "boa recuperação econômica". "Mesmo que ele [o PIB] seja próximo de zero, o Brasil será um dos poucos países do mundo, dos emergentes e dos grandes, que não terá uma recessão como terão os países ricos."
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 8)(Viviane Monteiro, Rivadavia Severo e Ayr Aliski)