Título: Sarney diz que horas extras são absurdo
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Fonte: Gazeta Mercantil, 11/03/2009, Brasil, p. A11

Brasília, 11 de Março de 2009 - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), classificou como "um absurdo" o pagamento de R$ 6 milhões em horas extras para 3,8 mil funcionários da Casa durante o mês de janeiro, período de recesso parlamentar, quando não são feitas sessões, reuniões ou votações de matérias.

"Acho um absurdo. É preciso verificar o que aconteceu. O caminho normal seria a suspensão do pagamento, mas não vou entrar numa atribuição que é do primeiro-secretário", disse, transferindo a responsabilidade ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI).

O pagamento foi autorizado pelo ex-primeiro-secretário Efraim Morais (DEM-PB) três dias antes dele deixar o cargo e às vésperas de Sarney determinar estudos para cortar gastos na Casa. "Os cortes continuam sendo feitos e o balanço mensal vai mostrar que eles têm sido significativos, mas não temos autoridade sobre cortes na parte de pessoal, porque são gastos fixos", explicou Sarney.

O presidente da Casa disse ainda que não pretende se reunir com Heráclito para discutir o assunto. Vai deixar para ele a iniciativa de tomar providências sobre o caso.

Heráclito Fortes pediu ontem que a Advocacia-Geral da Casa elabore um parecer sobre o pagamento das horas extras. O parecer será encaminhado à Mesa Diretora do Senado. Segundo ele, a resposta deverá ser dada em 48 horas e que, antes disso, não comenta mais o caso. "Não posso ser responsabilizado", disse.

O pagamento de horas extras é de responsabilidade do 1º secretário. Esse pagamento, alvo de matérias jornalísticas, foi autorizado pelo ex- 1º secretário, senador Efraim Morais (DEM-PB), três dias antes de ele deixar o cargo.

Em nota, Efraim afirmou que os termos do ofício que assinou liberando o pagamento são "estritamente legais". "Obedecem a critério administrativo, vigente há anos, por ser o mês de janeiro de recesso parlamentar".

(Gazeta Mercantil/Caderno