Título: Para FAO, País é modelo no combate à fome
Autor: Aliski,Ayr
Fonte: Gazeta Mercantil, 11/03/2009, Agronegócio, p. B11

Brasília, 11 de Março de 2009 - O Brasil será referência em reunião de cúpula da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) que ocorrerá em novembro, garantiu ontem o presidente da instituição, Jacques Diouf, ao encerrar visita a Brasília. Diouf disse que o Brasil ainda é o único país no mundo em que um presidente da República foi eleito tendo em seu programa de governo o compromisso de combater a fome, e que isso tem de ser uma referência a outras nações. Segundo o presidente da FAO, o mundo encerrará 2009 com cerca de um bilhão de pessoas que passam fome, e que a crise financeira global pode agravar esse cenário.

"O Brasil é um exemplo da luta contra a fome", disse Diouf, destacando que a produção global de alimentos terá de dobrar até 2050 para atender o crescimento da demanda mundial. E a experiência brasileira poderá ajudar o mundo a produzir mais alimentos, disse Diouf. Ele destacou que medidas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), executado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Pelo PAA, o governo compra a produção de agricultores familiares, com preços mínimos de referência especiais. Dessa forma, garante renda para o pequeno produtor. "O Brasil não cuida só da produção, mas também da compra dessa produção dos pequenos agricultores, garantindo mercado e preço", disse.

Segundo Diouf, o Brasil tem uma base legal que garante ações em torno do combate à fome e da segurança alimentar, como a reforma agrária e o programa de merenda escolar. Destacou a importância dada às discussões sobre a produção agropecuária no Congresso Nacional e a existência de grupos sociais que defendem o setor, como o de pequenos produtores. Segundo Diouf, o Brasil diferencia-se de outros países pela "institucionalidade" do objetivo de combater a fome, com organismos específicos que cuidam do tema no governo federal, nos Estados e na sociedade civil.

"É preciso reorganizar todo o sistema de governança da segurança familiar", disse Diouf, argumentando que essa mudança exige discussões nos níveis técnico e político, e que, por isso, o Brasil pode ajudar, repassando a sua experiência. Ele destacou problemas como a alta dos preços dos insumos nos últimos tempos e disse que esses valores não caíram na mesma proporção que os preços dos alimentos. Ele disse ainda que seria necessário um aporte de US$ 30 bilhões para minimizar o problema da fome e destacou que já solicitou ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apoio na reunião de cúpula de novembro.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 11)(Ayr Aliski)